meistudies, 5º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A virtualização do novo ecossistema midiático

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Memórias por um Fio: a fotografia na microrregião de Frutal-MG, no sudeste do Brasil, a partir da mídia social Instagram
Santiago Naliato Garcia

Última alteração: 2022-10-24

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


O objetivo desse trabalho é prover a análise de uma mídia social voltada para a imagem e seus utilizadores. Trata-se do início de uma constituição acervológica de trabalhos fotográficos com foco na microrregião de Frutal-MG. O que difere essa proposta de outros trabalhos anteriormente realizados pelo presente autor é o campo a ser pesquisado e o corpus evidente: se antes a noção geográfica era averiguada nas ruas, por meio de entrevistas interpessoais, agora propomos uma busca pelo fio: para a realização desse acervo, propõe-se uma pesquisa on-line na mídia social Instagram (que é voltada para a imagem) para mensuração dos profissionais em atividade nas cidades limítrofes de Frutal-MG qualificando, assim, os profissionais e suas fotografias para preservação. Como objetivo geral, esperamos iniciar um catálogo com os nomes ativos e com imagens coletadas a partir dessa mensuração. Nesse ínterim, estabeleceremos relações sobre a memória e o esquecimento a partir do trabalho de Garcia (2021) e de bibliografias específicas para proporcionar um debate sobre a relevância desse trabalho e da manutenção desses índices por ações específicas como esta – muitas vezes acadêmicas, como extensão – seja da memória imagética que retrata a passagem do tempo na região, seja dos próprios profissionais e depoimentos que demarcam um tempo atual mediado pelas tecnologias e hábitos contemporâneos.

Nossa metodologia vai da pesquisa na Internet até a bibliográfica para entendermos a necessidade da preservação imagética pela mídia social. Entendemos – especialmente ao decorrer dos estudos iniciais em Garcia (2021) – que a perda da memória é inevitável. A pergunta problema que instigou nossa produção é: quantos são e quem são os fotógrafos do recorte geográfico que são ativos nas postagens de fotografias no Instagram? Para dar conta da pesquisa aparentemente abrangente traçamos um caminho metodológico que vai da pesquisa inicial bibliográfica e de cavação digital (Instagram), generalista a fim de mensurar os profissionais e acervos locais para, a partir dessa noção inicial fazer um aprofundamento de 10 casos específicos que podem ser análogos a outros tantos casos. Esse movimento será teoricamente auxiliado pela revisão bibliográfica acerca da memória, do esquecimento e da escrita historiográfica, temas que nos direcionam para: como fazer? Sobre o quê? Para quem? Assim, De Certeau (1998) e (2011), com suas obras A Invenção do Cotidiano e A Escrita da História; Le Goff (2006) com História e Memória; Ricoeur (2007) em A Memória, a História e o Esquecimento foram autores basilares que consultamos para a estrutura teórica desse trabalho.

 

A fenomenologia da memória aqui proposta estrutura-se em torno de duas perguntas: de que há lembrança? De quem é a memória? Essas duas perguntas são formuladas dentro do espírito da fenomenologia husserliana. Privilegiou-se, nessa herança, a indagação colocada sob o adágio bem conhecido segundo o qual toda consciência é consciência de alguma coisa. Essa abordagem objetiva levanta um problema específico no plano da memória. (RICOEUR, 2014, p.23)

 

Tal argumento explicita duas perguntas que, ordenadas, possuem desdobramentos metodológicos: ao se perguntar primeiro quais as lembranças se têm e, somente depois, a quem pertencem tais questionamentos, deixa-se explícita a noção de que o possuidor da memória será identificado após a noção inicial daquilo a que se tem o que lembrar. O caminho aqui proposto é identificar o caminho que vai do o quê? ao quem? passando pelo como, esse último inicialmente decidido pelo meio digital, de uma mídia social.

Por fim, traremos o resultado de uma seleção, o nível de análise e os elementos pertinentes para isso, a delimitação dos conjuntos e subconjuntos que articulam o material estudado (regiões, períodos – que abrangem nossa análise e conjunto fotográfico).

A proposta inicial baseia-se na sustentação do trabalho investigativo de acordo com Braga (2008), que busca três proposições abstratas gerais para propor sustentação ao trabalho de investigação ao sistematizar leis e regularidade em áreas de estudo vizinhas ao da comunicação, nesse caso com a historiografia. Ainda com Yin (2001), é necessário adotar procedimentos sistemáticos para a pesquisa, o que torna o estudo de caso uma pesquisa notadamente complicada.

Dessa forma, portanto, relataremos no trabalho completo nosso processo de localização do acervo local e da constituição do nosso corpus para aprofundar em discussão e em qualidade da composição do nosso acervo a partir das discussões que a pesquisa bibliográfica traz.

 

Referências

 

Braga, J. L. Comunicação, disciplina indiciária. Recuperado de: < https://www.revistas.usp.br/matrizes/article/view/38193>. Matrizes. Acesso em: 26 nov. 2021.

De Certeau, M. A Invenção do Cotidiano. Petrópolis: Vozes, 3. ed, 1998.

___________ A escrita da História. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 3.ed, 2011.

Garcia, S. N. Narrativas visuais e memória. São Paulo/ECA-USP, 2021, 285p. (Tese de Doutorado). Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1el6DiShpX5tZJDNRTOIDYGjjl-gKuDlV/view?usp=sharing. Acesso em: 15 nov. 2021.

Le Goff, J. História e Memória. Campinas: Editora Unicamp, 5.ed, 2006.

Ricoeur, P. A Memória, a História, o Esquecimento. Campinas: Editora Unicamp, 2007. Veyne, P. (org) História da Vida Privada. São Paulo: Companhia das Letras, ed. 1, 1992.Yin, R. K. Estudo de caso – planejamento e métodos. 2 ed. Porto Alegre: Bookman. 2001.


Palavras-chave


: Fotografia e Memória; Memória do Noroeste Paulista; Fotojornalistas e Fotodocumentaristas.

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