meistudies, 4º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - Reflexões sobre o ecossistema midiático pós pandemia

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Artivismo, meio ambiente e bicicleta como forma de interação e sensibilização para a preservação do Cerrado Paulista
Rosa Maria Araújo Simões

Última alteração: 2021-10-26

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ste trabalho surge a partir da busca em refletir sobre algumas transformações ocorridas com o advento da pandemia da Covid 19, e em alguma medida, satisfazer duas necessidades humanas básicas as quais foram amplificadas pela experiência do isolamento e distanciamento social impostos pelo contexto pandêmico, quais sejam: 1) respirar ar puro e, 2) cultivar a liberdade do corpo (mídia primária) em movimento pelo espaço. No que diz respeito à primeira e vital necessidade, - essencial para a manutenção da vida humana - , vale salientar que, com a pandemia, o ato de respirar passou a ser disciplinado e culturalmente transformado devido ao uso obrigatório de máscara sobre boca e nariz como medida protetiva do contágio ao coronavírus, já a segunda, foi afetada por outra medida protetiva: “ficar em casa” e trabalhar remotamente (para quem pudesse, ou seja, para quem pelo menos tivesse casa, recursos tecnológicos, emprego e possibilidade de teletrabalhar etc.) reduzindo exacerbadamente assim, as possibilidades de movimentos do corpo humano que ficou restrito à cadeira, à tela do computador e a uma elevada carga horária de trabalho no ambiente virtual/digital. Este cenário relacionado às transformações culturais a partir do uso exacerbado das novas tecnologias e suas consequências no âmbito do trabalho, do lazer, da corporeidade, da cotidianidade, já vem sendo abordado por diversos autores tais como Norval Baitello Jr. (2005), Richard Sennet (2016), Derrick de Kerckhove (2009), Michel Maffesoli (2005), os quais, seguindo caminhos diversos nos convidam a refletir sobre esse mundo pós-moderno assumindo uma pré-disposição ao mesmo tempo crítica, sensível e ativa. Assim, artivisticamente (Centella, 2015), parte-se do pressuposto de que é possível, com o deslocamento ativo em bicicleta (Augé, 2009) através das trilhas do cerrado do oeste paulista, ativar o fluxo criativo em artes, produzindo arte ambiental, e, ao mesmo tempo, conseguindo manter a integridade física, mental e emocional tão desafiadas em tempos pandêmicos. Essa natureza – o cerrado - contemplada através da janela de um quarto/estúdio/templo durante praticamente seis meses de isolamento social devido à pandemia da Covid 19, ao exercer seu poder de atração, convida-nos a sentí-la, respirá-la, atravessá-la, conhecê-la e, preservá-la. Vale destacar que o cerrado possui uma formação vegetal de grande biodiversidade e grande potencial aquífero, é o segundo maior bioma da América do Sul e o segundo maior bioma do Brasil, entretanto, é atualmente o segundo bioma do Brasil mais ameaçado. Enfim, com a intenção de estimular um estilo de vida sustentável e com os objetivos de promover a arte como respiro (parafraseando o título de Edital Emergencial Itaú Cultural) e, consequentemente ativar o fluxo nos processos criativos em artes, foi realizada, para tanto, revisão bibliográfica, pesquisa de campo para a coleta de dados (e experiência sensível) e a fotografia (Pelosi, Melani & Furtado, 2009) como registro tanto da biodiversidade do cerrado, bem como das nossas efêmeras produções de arte ambiental obtidas a partir da deriva psicogeográfica sobre duas rodas circulando pelo território de três municípios do cerrado paulista, quais sejam, Bauru, Agudos, Piratininga. Trata-se, portanto, de uma pesquisa na área de Tecnologias para o Desenvolvimento Sustentável uma vez que foca na tão urgente e necessária preservação ambiental da qual co-depende a democracia, a justiça social e a paz mundial.

 

Referências:

 

Augé. Marc. (2009). Elogio de la bicicleta. Traducción Alcira Bixio. 1. ed. Barcelona: Gedisa Editorial.

 

Baitello Junior, Norval. (2005). A era da iconofagia: Ensaios de Comunicação e Cultura. São Paulo: Hacker Editores.

 

Centella, Visitación. (2015). EL Artivismo como acción estratégica de nuevas narrativas artistico-políticas. Calle14: revista de investigación en el campo del arte, vol. 10, núm. 15, pp. 100-111. Universidad Distrital Francisco José de Caldas. Bogotá, Colombia.

 

Kerckhove, Derrick de. (2009). A pele da cultura. São Paulo: Anablume.

 

Maffesoli, Michel. O mistério da conjunção: ensaios sobre comunicação, corpo e socialidade; Tradução de Juremir Machado da Silva. Porto Alegre: Sulina.

 

Pelosi, Olicio; Melani, Celso; Furtado, Luiz Fernando Cardoso. (2009). De olho no cerrado, Bauru: Focopoint.

 

Sennett, Richard. (2016). Carne e Pedra: o corpo e a cidade na civilização ocidental; tradução de Marcos Aarão Reis. 4. ed. Rio de Janeiro. BestBolso.



Palavras-chave


artivismo; preservação ambiental; bicicleta; cerrado

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