meistudies, 4º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - Reflexões sobre o ecossistema midiático pós pandemia

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A impressão de realidade em filmes de automobilismo: os casos de Rush (2013) e Ford vs Ferrari (2019)
Arnaldo de Freitas Vieira

Última alteração: 2021-10-26

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


A pesquisa tem por objetivo analisar a presença dos chamados “efeitos do real” (conforme definições de autores como Andre Bazin, Gerard Betton, Jean-Claude Bernadet) em duas obras cinematográficas sobre automobilismo, Rush (Dirigido por Ron Howard, 2013) e Ford vs Ferrari (Dirigido por  James Mangold, 2019), baseadas em histórias reais de pilotos e equipes. Pretende-se estudar se tais efeitos puderam ou não contribuir para a edificação dos “mitos” (com base nos estudos de Joseph Campbell) relativos aos personagens das narrativas estudadas, sendo eles Niki Lauda, James Hunt e Ken Miles. Objetivamente o trabalho se dispõe a analisar como o cinema, através de suas técnicas, pode criar no espectador um efeito do real visto em tela em filmes do gênero esportivo, dando causa a uma empatia com as histórias dos personagens dentro da diegese fílmica, traçando um paralelo entre essas técnicas e a formação de uma mitologia sobre os personagens. Da mesma forma, estudar a possível presença de um “padrão” de técnicas cinematográficas entre filmes automobilísticos, que causam no expectador a sensação de imersão nas cenas e consecutivamente, de “simulação do real” vivido por pilotos em carros de corrida.

Tal gênero, comumente chamado pelo público de “filmes de corrida”, tenta emular no público uma aproximação com o “real” vivido pelos pilotos durante um evento esportivo dessa magnitude. Porém, mesmo que o esporte, tendo há muitos anos extensa cobertura da mídia, em suas versões cinematográficas, não gere o mesmo interesse no público. O que faz com que produtores e diretores recorram a recriações de narrativas com foco na vida dos pilotos, em suas diversas dificuldades pessoais e perfis psicológicos, apelando mais para seus aspectos “apolíneos” e “dionisíacos”, na definição de Friedrich Nietzsche, e suas capacidades “heroicas” de lutar contra a máquina – o carro de corrida – em altas velocidades, desafiando a morte iminente.

Para corroborar com essa concepção, as técnicas cinematográficas chancelam essas impressões, porém abrem imensas possibilidades de, se o que for filmado não transmitir uma sensação de “realismo” para o expectador, o filmado tornar-se-á artificial quando visto em tela, o que fará com que o público perca seu interesse na diegese fílmica e consequentemente, no “herói”. Dito isto, algumas narrativas desse gênero, quando produzidas com o devido nível de “realismo” em tela – devidamente causado pela utilização de técnicas cinematográficas como câmera subjetiva, big close up, plano detalhe – provocam uma resposta quase imediata em quem assiste, podendo contribuir com a elevação da mitologia que envolve os personagens retratados, ainda mais se tratando de pilotos reais que tiveram suas histórias contadas através de tais obras cinematográficas. Em resumo, a utilização de tais técnicas pode contribuir para o incremento da mitologia em torno do piloto/atleta retratada em cena.

Diante do problema de pesquisa exposto, o que se pretende analisar pode ser divido em duas partes:

1) Se a presença de técnicas cinematográficas que geram um “efeito do real” no espectador pode contribuir com a criação mitológica acerca dos personagens que têm suas vidas retratadas nas narrativas cinematográficas;

2) Se é possível a percepção de um padrão nas técnicas cinematográficas presentes em filmes de automobilismo, com a utilização de técnicas já descritas, como câmera subjetiva, plano detalhe, big close up, etc.;

Ao se analisar os dois filmes, temos por hipótese que tais técnicas servem aos dois problemas descritos acima. Tanto estabelecem um padrão quanto contribuem para a criação de uma “aura” de mistificação em torno dos personagens, como os casos de Niki Lauda (piloto extremamente metódico e disciplinado que pagou com enorme trauma físico o preço de uma competição pelo campeonato de Fórmula 1 de 1976), James Hunt (piloto oposto à Lauda, descompromissado, irresponsável e relapso, porém ao mesmo tempo passional e carismático) e Ken Miles (uma amálgama dos dois anteriores, visto como rebelde e técnico ao mesmo tempo).

 

APRESENTAÇÃO


Palavras-chave


esporte; automobilismo; cinema; realismo;

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