meistudies, 3º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - Democracia, meios e pandemia

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O endereçamento ao telespectador durante a pandemia: um estudo sobre as mudanças feitas pelo Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão
Leire Mara Bevilaqua

Última alteração: 2020-11-07

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


A televisão aberta já vivenciava um momento de transformação impulsionado pela tecnologia e pelas práticas sociais e culturais vigentes. O processo de digitalização e a possibilidade de conexão em rede modificaram as concepções de tempo e espaço e trouxeram mudanças significativas aos formatos, às rotinas produtivas e até mesmo à forma como se consome o conteúdo televisivo. É um cenário em que novas e velhas audiências coexistem, reafirmando, mas também renovando contratos assumidos com a televisão. O telejornalismo, enquanto instituição social, não poderia passar indiferente a esse momento. Muito menos um de seus subgêneros de grande aceitação, o telejornal.

Nesse contexto, a propagação do novo coronavírus, a declaração de pandemia pela Organização Mundial de Saúde em 11 de março e as recomendações de higiene, de distanciamento social e de suspensão de atividades com aglomeração de pessoas mudaram ainda mais a rotina produtiva das emissoras de televisão, o tipo de conteúdo produzido e a relação com o telespectador. No Brasil, mesmo com o jornalismo na lista das atividades essenciais mantidas em funcionamento, muitas das práticas consolidadas pelas equipes televisivas ao longo das últimas décadas não podem mais ser mantidas. E por um prazo, ainda, indeterminado.

Na Rede Globo de Televisão, uma das principais emissoras em sinal aberto do país, programas de auditório ficaram vazios e a gravação de novelas foi interrompida pela primeira vez na história do canal. Essa foi a alternativa encontrada para evitar a propagação da Covid-19 entre profissionais da equipe. Ao mesmo tempo, a cobertura jornalística sobre a pandemia foi ampliada, com reformulação da grade de programação e muitas adaptações para que o conteúdo continuasse sendo produzido, por exemplo, o uso de máscaras pelos repórteres em campo, de microfones separados para os entrevistados, algumas entrevistas feitas por meio de plataformas virtuais e até uso de imagens de menor qualidade.

Este artigo tem o objetivo de desvendar como essas mudanças influenciaram no modo de endereçamento do Jornal Nacional, o telejornal que está há mais tempo no ar no país e até a última década era considerado um dos noticiários mais conservadores. Para tal, recorre-se ao conceito de endereçamento estabelecido por Gomes (2011), segundo o qual, trata-se do modo como o telejornal se relaciona com a audiência a partir da construção de um estilo, que o diferencia dos demais. E são diversos os elementos que compõem esse endereçamento. Tanto que também parte da autora a definição de operadores de análise para essa identificação. Um deles, o contexto comunicativo, que identifica o processo de comunicação estabelecido entre emissor, receptor e as circunstâncias espaciais e temporais envolvidas na configuração de um estilo, será o norteador da análise proposta para este trabalho. Para isso, a ideia é analisar 8 edições do telejornal após o decreto da pandemia, escolhidas de forma sequencial e alternada, nos meses de março e abril.

Assim, este estudo é uma forma de contribuir para o debate em torno das mudanças pelas quais o gênero telejornalismo vem passando ao longo das últimas sete décadas no Brasil, bem como as experiências do Jornal Nacional que se tornou uma das principais referências entre os brasileiros.

GOMES, Itania Maria Mota. (2011). Gêneros televisivos e modos de endereçamento no telejornalismo. Salvador: EDUFBA.


Palavras-chave


telejornalismo; modo de endereçamento; Jornal Nacional; pandemia

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