meistudies, 3º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - Democracia, meios e pandemia

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À DISTÂNCIA: REFLEXÕES SOBRE A PRODUÇÃO ARTÍSTICA COM RECURSO A DADOS REMOTOS
Marcelo Bressanin, Regilene A. Sarzi Ribeiro

Última alteração: 2020-11-11

Resumo


A presente comunicação tem como proposta discutir a utilização de dados remotamente obtidos para a concepção e a fruição de obras artísticas no contexto das medidas de contenção da pandemia do Covid-19. Volta-se, neste sentido, à discussão de estratégias de produção em arte contemporânea com ênfase nos segmentos de arte e tecnologia e de arte sonora, tendo como foco a utilização de sistemas digitais e/ou eletromecânicos para a obtenção de dados em tempo real e sua utilização como elementos composicionais e disparadores de proposições e experiências sonoro-espaciais. As reflexões aqui propostas se justificam por dois fatores de ordem prática: a) a criação em arte sonora, muito frequentemente, demanda aos artistas e a eventuais técnicos especializados a realização de investigações site specific e a coleta de áudio em campo e, b) a exibição de obras sonoras, em formatos como instalações ou concertos, entre outros, pressupõe a concentração presencial de público em ambientes acusticamente preparados ou de caráter imersivo - ou seja, duas situações que devem ser desencorajadas tendo em vista a atual (e futura?) necessidade de manutenção do isolamento social. Diante das reflexões dipostas por um horizonte de incertezas, perguntamos: como pensar e propor novas experiências estéticas em arte sonora ao longo e após o período da pandemia? Metodologicamente, esta proposta se estrutura em torno de uma discussão bibliográfica (com referência em autores como Lev Manovich, Roy Ascott, Walter Zanini, Suzete Venturelli, Yara Guasque, entre outros) e da leitura da produção de artistas representativos no que se refere à leitura e interpretação artística de dados em tempo real, tais como David Bowen, Eduardo Kac, José Wagner Garcia, Paulo Nenflídio e Giuliano Obici. Entre os artistas mencionados destacamos, por exemplo, a produção do artista norte-americano David Bowen (1975), que associa procedimentos escultóricos à recursos eletromecânicos acionados a partir de fontes de dados como sensores digitais, bóias oceânicas e satélites de comunicação, entre outros dispositivos, ou ainda as obras de caráter telepresencial do artista brasileiro Eduardo Kac (1962), que empregam recursos da robótica vinculados à diferentes plataformas de obtenção de dados via internet. Entre os resultados pretendidos, busca-se a identificação de possíveis estratégias para a criação e a exibição de conteúdos artísticos sonoros que prescindam do fator presencial, no contexto do Covid-19, e que viabilizem, por meios tecnológicos, a continuidade das ações artísticas à distância e uma possível expansão da experiência espaço-sonora, enquanto persista o quadro de pandemia.


Palavras-chave


Arte sonora, Site specific, Dados remotos, Pandemia

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