meistudies, 3º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - Democracia, meios e pandemia

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Telejornalismo Remoto: os Processos de Produção da Reportagem que vão ficar Pós-pandemia em emissoras do Nordeste Brasileiro
LAERTE JOSÉ CERQUEIRA DA SILVA, GILMARA DIAS NASCIMENTO

Última alteração: 2020-11-07

Resumo


O ano de 2020 será um marco histórico das transformações que ocorreram em várias áreas do conhecimento. Foi quando “girou-se a chave” que modificou práticas consolidadas e forçou, ou acelerou, mudanças em curso. Foi o que aconteceu nas rotinas de produção da reportagem no telejornalismo. De repente, determinou-se o isolamento social para evitar a contaminação pelo coronavírus. Profissionais e as redações precisaram se adequar rapidamente e encontrar alternativas para não parar. Para continuar produzindo telejornais diários, alguns até com mais tempo de produção, num cenário que exigia cuidados redobrados com a saúde e manutenção rigorosa do distanciamento social. Num cenário que exigiria (exige) mais informação de qualidade e confiável.

Jornalistas de televisão veem-se obrigados a se adaptar e produzir reportagens e conteúdo apenas com dispositivos móveis, computadores portáteis e conexão de internet. Às vezes, sem repórteres cinematográficos, sem contato pessoal com fontes e personagens, sem ir onde fatos se desenvolveram. Passa a predominar o que denominamos de “telejornalismo remoto”: com repórteres em casa, fontes gravando os próprios relatos e imagens, entrevistas ao vivo pela internet, com muito mais frequência, personagens passam a captar imagens para ajudar na construção da própria história.  Aliás, em alguns casos, a única forma para trazer informação ao telespectador e fechar o tempo do jornal.

Que futuro este presente sinaliza? Quais práticas, descobertas em meio à necessidade do distanciamento social, moldarão às rotinas das redações dos telejornais e dos profissionais pós-pandemia? São respostas que pretendemos dar neste artigo de dimensão qualitativa e reflexiva, no qual realizamos entrevistas semiestruturadas com nove editores e repórteres de rede das afiliadas da TV Globo, Rede Record e Rede Bandeirantes, em nove estados da Região Nordeste do Brasil. Os estados são: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. Registrando que repórteres de rede são aqueles que produzem e editam reportagens locais, mas para serem exibidas nacionalmente.

A pergunta-base foi: quais práticas da produção de reportagens da emissora de televisão que não eram usadas, ou eram utilizadas com pequena frequência, que se fortaleceram na pandemia e podem ficar após o fim da obrigatoriedade do isolamento social? Também destacamos quais os aspectos que vão influenciar na permanência ou não de “novas” formas de produção da reportagem. A pergunta foi: que aspecto pode ser determinante para manutenção de práticas que se fortaleceram na pandemia?

A partir do cruzamento das respostas dos editores e repórteres e análise de conteúdo de reportagens das emissoras, exibidas entre maio a agosto de 2020, indicadas pelos entrevistados, destacamos as práticas que têm mais possibilidade de permanecer pós-pandemia e quais os fatores nas rotinas produtivas que geram a produção de um conteúdo remoto para os telejornais. Com menos contato e sem a presença do repórter.

Esperamos, por fim, não fazer um exercício de futurologia. Mas, a partir dos relatos de quem vive o dia a dia da atividade há anos, com produção de impacto nacional, registrar a motivação e fatores, externos à rotina e ao mercado, que tornaram algumas práticas, antes coadjuvantes ou inexistentes, ferramentas decisivas na produção de alguns conteúdos telejornalísticos na e pós-pandemia.


Palavras-chave


Telejornalismo remoto; pandemia; reportagem de tv; rotinas produtivas

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