meistudies, 2o Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - O protagonismo da narrativa imagética

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Poética e Intermidialidade na Dança Digital: alguns pressupostos
Natalia Ribeiro, Dorotea Souza Bastos

Última alteração: 2019-09-16

Resumo


A nova concepção de corpo e de corpo em movimento trazida pela dança contemporânea abriu precedentes para outras compreensões que expandiram a definição de Dança. Um dos campos perceptíveis dessa expansão é na conjuntura da dança digital, que é objeto das investigações das autoras. A ênfase da discussão poética é sobre a dança que acontece integrada com tecnologias digitais, estabelecendo conexões pelas contribuições dos entendimentos desenvolvidos com a imagem.

O desafio aqui é também pensar essa dança enquanto processo, tanto na questão de seu “produto” artístico quanto percebê-la dentro de um contexto que é construído na relação humana, dos artistas com as mídias, do ser humano com as informações e com outros humanos novamente, num processo enquanto forma de poética, de algo que se constrói no fazer.

Pensar em processo é ainda refletir como a dança lida com as tecnologias que utiliza em sua criação, servindo como adereço figurativo, ou tendo o seu uso distorcido, rearranjado, colocando o mesmo objeto de outras formas, servindo para outros propósitos que não os usuais. Daí, uma aproximação com o que Pareyson (1997) coloca como o uso da matéria de arte. Adotar esse ponto de vista é entender que no processo criativo transmídia há sempre algo que escapa ao controle de um dogma pré-estabelecido. Por essa razão, se considera que os acontecimentos, as operações ténicas e cognitivas, emocionais, orgânicas, sociais que ocorrerem no decorrer desse processo transmutam não só as pessoas, artistas, como também o trabalho que está sendo desenvolvido.

No tocante às especificidades de uma arte, um dos pressupostos para a poética da dança digital é a transitoriedade, não somente porque não se consegue impor uma modelo regular do processo criativo visto a complexidade cognitiva dos corpos, mas também a renovação dos materiais de sua arte, neste caso, os aparelhos tecnológicos digitais.

As transformações são constantemente estimuladas pela renovação tecnológica e pela busca artística de inclusão de novas matérias. Dessa forma, a abertura para alternativas intermídias apresenta-se como outra possibilidade de pressuposto para a dança digital. As alternâncias de criação e de resultado sempre estarão se renovando por conta do desenvolvimento tecnológico e pela ampliação dos entendimentos da própria arte.

A dança digital produz uma poética na interação com equipamentos digitais. Essas tecnologias reforçam o potencial intermídia de imagem da dança, pois os tipos de aparelhos desenvolvidos que entraram nas escolhas de negociação artística, se dedicam à geração de imagens.

Compreender a transitoriedade e intermidialidade destes valores dentro de conhecimentos provisórios, visto que se sabe da sua constante modificação, impossibilita a definição de padrões organizadores e qualificadores dessa dança, ou de postular pressupostos para outros tipos de dança. O que a imprevisibilidade poética pautada na complexidade corpórea pode anunciar é o apego a que cada trabalho pode desenvolver à sua coerência interna e às tecnologias.

Quando há a convergência da concentração do sentido da visão da dança e das tecnologias digitais, matérias de sua arte, que são tecnologias da imagem, o que resulta é a potência da sua criação imagética. As imagens transbordadas de sentidos e funções revelam não somente a imagem do corpo, mas na dança digital, mostram a reprodução de outras imagens capturadas pela tecnologia.

O que ressoa da dança digital é um conjunto de transformações da poética em Dança, dos materiais que podem ser utilizados, dos procedimentos artísticos e, principalmente, da definição do entendimento da própria Dança. O processo criativo integrado com a tecnologia digital expande os conceitos de corpo, narrativa, mídia, espaço, e as diversas instâncias do campo que é a própria Dança.

 

LOUPPE. Laurence. Poética da dança contemporânea. Lisboa: Orfeu Negro, 2012.

MANOVICH, Lev. The Language of New Media. Cambridge: The MIT Press, 2001.

PAREYSON, Luigi. Os problemas da Estética. Tradução Maria Helena Nery Gargez. 3. ed.vSão Paulo: Martins Fontes, 1997.

RIBEIRO, Natalia Pinto da Rocha. Poética na dança digital: processos e reverberações. 217f. Il. 2016. Dissertação (Mestrado) – Escola de Dança, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2016.


Palavras-chave


Dança digital; Intermidialidade; Poética.

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