meistudies, 2º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - O protagonismo da narrativa imagética

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Visualidade e Visibilidade entre Ambivalências e Ambiguidades
Camila Geracelly Xavier Rodrigues dos Santos

Última alteração: 2019-09-16

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

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A presente pesquisa propõe estudar a imagem da cidade e a imagem na cidade como poder simbólico capaz de dar visibilidade, ou tornar invisível o espaço urbano sob as constantes transformações históricas, sociais e culturais que modificaram e continuam a modificar a paisagem do centro da cidade de São Paulo. Busca analisar como essas transformações comunicam de forma interativa e mediativa essa visualidade, através das relações de usos e afetos destes lugares/símbolos. Partindo da reflexão acerca do objeto empírico “Centro de São Paulo”, bem como, da reflexão epistemológica sobre os conceitos que permitirão elaborar um sistema coerente de relações, será possível arguir o objeto a fim de encontrar, - sob as ruínas da sucessão do tempo,  a história  entendida tanto como registros históricos do passado, quanto como a história do cotidiano, dos eventos e das transformações de usos dos espaços estudados, - indícios que possibilitam entender como o espaço da cidade pode se tornar, através do poder simbólico, um lugar de afeto ou, inversamente, pode perder sua força simbólica quando relegado ao esquecimento. A pesquisa propõe a análise dessa cidade/imagem, realizando uma espécie de arqueologia do urbano. Através da análise da imagem, seu desenho, cartas topográficas, mapas, arquitetura, fotografias e percursos afetivos, estuda-se as possibilidades de criação de um lugar que se abre a partir dessas imagens. Será realizada uma investigação acerca da história, dos monumentos, da arquitetura, da arte urbana e da pichação e como estas imagens inscritas na paisagem se relacionam com e na cidade de São Paulo, e a fazem uma cidade em performance. Tais imagens falam e o que elas contam da história da cidade fomentam a criação de uma nova linguagem. A estratégia metodológica utilizada será a deriva (DEBORD), tendo em vista sua capacidade de encontrar, sob o tecido urbano, as manifestações singulares com foco na comunicação que estabelecem, para, ao criar percursos de afeto aleatórios, encontrar as imagens urbanas ou imagens/símbolos do urbano, elementos semióticos que transformam espaços em “lugares”, observando os habitantes/usuários e como estes interagem e utilizam o espaço urbano. Nesse trajeto também realizo uma  deriva digital, utilizando o aplicativo Instagram para captar diferentes construções de olhares sobre a paisagem urbana do centro de São Paulo, e como tais imagens promovem interações e mediações entre os fotógrafos e seguidores/ usuários do aplicativo, analisando textos e comentários das fotografias, observando como os meios tecnológicos modificam a interpretação que temos do espaço que nos circunda, gerando paisagens heterotópicas, visibilidades que se sobrepõem entre a evidência tangível do espaço físico e a superestimada visualidade do virtual. As derivas possibilitarão a criação de uma cartografia afetiva, que ao modo do Atlas Mnemosyne de Aby Warburg, terá como propósito planificar e demonstrar essas imagens símbolos, bem como as relações estabelecidas nesses espaços/lugares. A questão do projeto é a relação da Visualidade entre as imagens e o Centro. Como estas imagens reais e virtuais, ambivalentes e por vezes contraditórias, se confundem com a paisagem da cidade de São Paulo em uma forma de apropriação urbana e como, através dessa visualidade, as pessoas criam pontos de relação e afeto. O projeto também busca provocar reflexões sobre como a memória e o esquecimento atuam na construção cultural de pertença de espaços simbólicos, e como os meios tecnológicos podem contribuir para tornar visível os espaços de invisibilidades no centro da cidade ou construir outras formas de visibilidade. Da mesma forma, deve-se investigar o que fica “entre” as fachadas de uma rua, o que está invisível e apesar de sua invisibilidade fala, sussurra, se faz presente na invisibilidade simbólica de alguns espaços. Essas comunicações de visibilidades e invisibilidades são capazes de gerar conhecimento, criar afetos, modificar a forma de se relacionar com esses espaços? Possibilitam a criação de lugares? Como entender a cidade através das suas possibilidades visuais? Sob essa ótica, a análise vai se verticalizando, tonando possível a criação de uma espécie de árvore genealógica que guiará a cartografia dessas imagens símbolos, bem como evidenciar as disposições de lembrança/ esquecimento, visibilidade e invisibilidade que o tempo criou no espaço. Essa análise e construção se configura como objetivo principal da pesquisa.


Palavras-chave


Visualidade; Visibilidade; Invisibilidade; Imagem; Cidade; Urbano; Virtual; São Paulo; Lugar; Espaço; História; Arqueologia; Símbolo; Afeto

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