meistudies, 2º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - O protagonismo da narrativa imagética

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Narrativas imagéticas: a contribuição da intervenção urbana para um saber ambiental
Gisele Gabriel

Última alteração: 2019-09-17

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A intervenção urbana, tendo em vista suas interações no contexto social, pode servir como uma ferramenta constituidora de atores em favor da conscientização sobre as questões ambientais. Para tanto, apresentamos como exemplo algumas obras do artista visual Eduardo Srur, nascido em São Paulo, onde mora e trabalha, conhecido por suas intervenções urbanas, que dialogam com as questões ambientais. Para ele, a cidade é a galeria. O artista aproxima a arte do cotidiano, e, ao inserir a arte no cotidiano, faz com que o próprio cotidiano seja revisto. Os objetos comuns, tomados artisticamente, provocam um estranhamento e fazem com que as pessoas olhem para aquilo que passa despercebido. Na perspectiva de Ciro Marcondes Filho (2014), podemos entender as obras de Srur como acontecimentos comunicacionais, pois mais do que informar, elas transformam o real e nos obrigam a perceber os problemas cotidianos. A intervenção Pets (2008), feita com garrafas infláveis gigantescas (10 x 3,5 metros), foi exposta às margens de concreto do Rio Tietê, principal rio da cidade de São Paulo, conhecido por sua poluição ao longo dos anos. O aquário morto (2014) foi uma intervenção realizada no maior aquário da América do Sul, localizado no literal paulista, na praia da Enseada no Guarujá. De acordo com as informações do site oficial do artista, a intervenção ocorreu na sala principal do aquário. De um lado manteve-se as espécies marinhas, enquanto o outro lado recebeu dezenas de objetos de lixo sólido recolhido nas praias da região que formavam composições flutuantes nas vitrines de exposição para o público. A intervenção intitulada Mercado (2016) contou com dez esculturas de metal, com medidas de 3,80 x 3,70 x 2,20 metros, que foram espalhadas pela cidade de São Paulo (SRUR, 2019). Assim compreendemos que a intervenção urbana, além de encantar e surpreender, contribui com a valorização dos espaços públicos e serve para alertar a sociedade sobre os problemas atuais. Ao contemplarmos as intervenções de Eduardo Srur, temos um real reinterpretado, uma construção narrativa capaz de dramatizar os objetos que aparecem em cena. Sua arte transmite um olhar sobre o mundo consumista e desigual em que vivemos. E, por meio delas, refletimos sobre nosso papel em construir um mundo melhor, já que o artista transforma olhares, retirando-nos de nossa condição anestésica, a qual é reflexo do nosso cotidiano caótico e bombardeado de informações. E talvez, para que haja efetividade nos processos comunicacionais e educativos a chave seja o afeto. Aquele que afeta, transforma, cria vínculos. Para Sodré (2006) precisamos dar mais espaço à emoção, sensibilidade e afeto para compreender, refletir e melhorar o convívio entre o ser humano, meio e mídia. A reconfiguração veloz da comunicação sugere inúmeros desafios à educação, pelos saberes e narrativas que propagandeia. A educação/comunicação desempenha um papel importante, que é o de construir a cidadania, com base em um mundo editado (MARTÍN-BARBERO, 2014). De acordo com Martín-Barbero (2014), o processo de alfabetização divide-se em duas etapas: 1ª) a que prepara para o mundo da escrita fonética; 2ª) a que permite uma capacidade de ler e compreender diferentes tipos de textos. Sendo esta segunda de extrema importância para o desenvolvimento da cidadania. Morin; Ciurana e Motta (2003) alertam para a urgência de educar para a era planetária, em que o principal objetivo é o despertar de uma sociedade-mundo, que tem como finalidade o desenvolvimento do ser humano. Para os autores, o termo planetarização é mais complexo que globalização, pois se trata de um termo radicalmente antropológico, que expressa a ideia de aventura da humanidade. De acordo com Bauman (2008), as necessidades passaram por mudanças porque pre­cisaram enquadrar-se em arranjos sociais resultantes da renovação de vontades e desejos. Nessa perspectiva não há nas necessidades somente o propósito de suprir o básico ou o mais importante, porque o mais importante também se transformou, pois, a sociedade estrutura-se da argumentação de satisfazer os desejos humanos. Ou seja, a vida humana está vinculada e dependente do consumo. Portanto, cremos que as intervenções urbanas ao trazer à tona em suas narrativas as problemáticas ambientais seja uma possibilidade de mobilizar a sociedade em direção ao seu próprio reencontro como animais da terra, dependentes dela.


Palavras-chave


Intervenção urbana; narrativas imagéticas; conscientização ambiental

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