meistudies, 2o Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - O protagonismo da narrativa imagética

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A Biografia do artista. Condução da narrativa fílmica
Cristina Susigan

Última alteração: 2019-09-17

Resumo


A contaminação estética entra arte e cinema é antiga. Suas relações são desencadeadoras de estudos e análises. Considerando que a pintura, enquanto arte visual, pode ser considerada genealogicamente ancestral do cinema, não é de se surpreender que a referência à pintura acompanhe a história do cinema. Nos últimos anos, desenvolveu-se um gênero fílmico que podemos denominar “filmes sobre pintura e seus criadores”. Deixando de lado as relações entre cinema e a pintura em termos de representação plástica, a sétima arte tem se válido da arte irmã, a pintura, como fonte de argumentos relevantes para a construção de um imaginário biográfico sobre a vida e obra de artistas plásticos. Nos últimos anos, podemos citar vários filmes e telefilmes que basearam sua narrativa em histórias reais – de teor mais fictício uns que outros -, mas que acabam por levar ao grande público um conhecimento e posterior interesse em pintura e procura por maiores detalhes. A dimensão dramática, o contexto histórico da época de um determinado pintor e o contato, talvez o primeiro, com uma obra de arte, são instrumentos que podem vir a ser utilizados para a difusão de ideias, emoções e expressões mais elaboradas. O gênero biográfico não é algo novo, e com exceção de algumas fases de declínio, podemos afirmar que seja no âmbito da recriação da história de artistas e suas obras de arte, seja narrativas de outras personalidades, são filmes com boa recepção por parte dos expectadores. Conforme afirma Betton: (...) no cinema, não há uma lógica, mas lógicas, não há verdades, mas verdades”. (BETTON 1997, 100), por se tratar de uma linguagem inventiva, o cinema, por ser composta por uma narrativa com uma sucessão de espaço e tempo, circunscrita entre o início e o fim de sua projeção, que comporta temas e conteúdos diversos, permite ampliar o acesso e análise de uma obra de arte, como também refletir sobre o contexto histórico. Esta comunicação tem o intuito de analisar três filmes – Pollock (2000), A Moça com brinco de pérola (2003) e As sombras de Goya (2006) -, e suas abordagens biográficas dos artistas e dismistificar a realidade da ficção, que acaba se tornando verdade em seu discurso dialético. Estes filmes abordam a pintura pelo viés narrativo e dramático da biografia de um pintor, o que constitui em si um fenômeno de narrativização interessante. Sem deixar de ser uma afirmação que reflete a verdade, importante será ressaltar que estes filmes não são retratos da realidade.


Palavras-chave


Biografia, Artista, Narrativa

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