meistudies, 2º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - O protagonismo da narrativa imagética

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A narrativa transmídia como ação social para a construção de uma memória democrática
Antonio Alías

Última alteração: 2019-09-16

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

INFORMAR SE PARTICIPOU DO CONGRESSO INTERNACIONAL COMERTEC


Num presente em que a sociedade da memória (Enzo Traverso) subsumiu, de algum modo, o potencial emancipatório com o qual o teólogo JB Metz desejava dotar a memória -convertendo-a no "conceito mais indispensável de uma filosofia" como primazia de um devir prático da razão-, o conceito se tornou um exercício legislativo frustrado. Assim, a cultura da memória a partir da qual ele pretendia medir todos os eventos da história, sempre sob a lembrança inesquecível do desastre humano do Holocausto Judaico e outras catástrofes que ocorreram em torno da Segunda Guerra Mundial, no entanto, foram perdendo certa condição histórica. Isso acontece quando, contraditoriamente, esse anseio de memória se tornou uma história recorrente num presente trancado entre as incertezas do passado e o futuro que não o assegura como um discurso histórico. Nesse impasse, a memória penetrou, além das leituras nostálgicas e da recuperação entendida como um objeto cultural vintage, no mesmo processo de "democratização" desenvolvido por muitos estados que têm como protagonista de sua história conflitos civis baseados na violência política, e que eles vêm para ela, para a memória, convencidos da sua capacidade conciliatória e integradora.

Assim é como a memória se tornou política estatal protegida pelos princípios fundamentais dos Direitos Humanos ou, o que é o mesmo, daquela força emancipatória que Metz apontou para um parecer político que dificilmente parece cumpri-la em sua execução, como é o caso da Lei da Memória Histórica (Lei 52/2007 de 26 de dezembro) espanhola. Entre esses parâmetros com os quais Metz tentou dar sentido à história, eles finalmente deram lugar às estratégias de consumo vigentes em nossa sociedade. E é a memória agora, mais do que nunca para seu benefício, definida por um topos propenso aos excessos da política neoliberal e à produção desproporcional de histórias comemorativas que, definitivamente, confundem sua natureza crítica com uma memória oficial e de estado frente aos fatos sobre a que é estabelecida.

No entanto, em 2011, começa o Vencidxs, que, de forma autogerida, busca coletar os depoimentos dos últimos sobreviventes da Guerra Civil Espanhola e a subsequente repressão durante o regime de Franco, com o objetivo de não deixá-los cair no esquecimento. Muito mais do que um exercício de memória histórica, as entrevistas são a base deste projeto transmídia e multilíngue (que consiste em um documentário, um livro fotográfico e uma rede social na web) e, pela primeira vez, são os entrevistados anônimos, os que narram, contrastam e contrastam suas experiências com a história oficial dos eventos em torno do conflito civil, para participar de um gesto político ainda hoje necessário: ser referência para as gerações de jovens de hoje, aqueles que querem se conscientizar das lutas sociais onde as políticas institucionais sobre memória histórica não são eficazes.


A comunicação tentará estudar como um projeto transmídia busca coletivizar a propriedade e o poder da narrativa na participação para a construção de uma memória histórica mais justa e democrática. Assim, longe de um projeto colaborativo ou interativo para fins comerciais, Vencidxs propõe um processo de ativismo social através da transmídia mais profunda, crítica e política, que promove, em primeiro lugar, os laços de união entre as pessoas envolvidas nela. Participar da Vencidxs é, portanto, conceber a narrativa como uma ação política focada em gerar histórias críticas e novos espaços para o entendimento comum sobre nossa própria história.

Palavras-chave


Transmídia, Memoria, Audiovisual

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