meistudies, 2º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - O protagonismo da narrativa imagética

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A fotografia de performance e o corpo na arte afro-brasileira de Ayrson Heráclito
Regilene Aparecida Sarzi-Ribeiro, Daniele Lima Araújo

Última alteração: 2019-09-16

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

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O artista Ayrson Heráclito, que vive e trabalha em Salvador, nasceu em Macaúba, na Bahia (Brasil), em 1968. As linguagens artísticas de Heráclito são as instalações, a performance, a fotografia e o vídeo em obras que lidam com a religiosidade, diáspora e escravidão com ênfase para a matéria orgânica, como o azeite de dendê que representa forte simbologia cósmica para o Candomblé. As obras de performers afro-brasileiros contemporâneos e o trabalho fotográfico resultante dessas ações nos levam a refletir sobre a presença negra em diferentes aspectos intrínsecos à cultura e sociedade brasileira e latino-americana que se relacionam diretamente com as condições históricas em que a população africana e posteriormente afrodescendente foi inserida.Entender a fotografia como registro autônomo e ontológico, segundo Amélia Jones (2013) não substitui a presença do artista em performance, porém estes dois aspectos se relacionam intimamente. O registro de performance adquire valor documental e artístico de uma obra efêmera, possibilitando um alcance interpretativo diferenciado em relação a uma posição de espectadora da ação ao vivo. Dentro dessa perspectiva, o contexto da cena é criado pelo artista performer tanto para o espectador presente quanto para o olhar da câmera e da fotografia. Segundo Ayrson Heráclito (2010) a arte contemporânea é um meio de expressão interdisciplinar que permite e explora os diálogos entre diferentes áreas do conhecimento, “[...] nos possibilita pensar em inter-territorialidade, inter-relação das artes com outros territórios do conhecimento humano” (Heráclito, 2010, 1056). Nos registros fotográficos de Marcelo Terça Nada e do próprio artista, que constituem duas séries distintas da mesma performance, são criadas composições estéticas a partir da simbologia iconográfica da cosmogonia da religião de matriz africana, utilizando materiais orgânicos que contrastam e submergem o corpo de 12 performers deitados em esteiras, onde Ayrson Heráclito é o mediador que deposita o alimento sobre as cabeças ritualisticamente. A primeira feita a partir da primeira apresentação no MIP2 em Belo Horizonte, 2009 e a segunda para ser exposta na Incorporations - Afro-Brazilian Contemporary Art, Bruxelas 2011. De acordo com o artista, o Bori é um termo que significa a fusão bó, que em Ioruba significa oferenda, com ori, que quer dizer cabeça e literalmente traduzido significa: “Oferenda à Cabeça” (Heráclito, 2010). A ação performática consiste em oferecer alimentos às cabeças, sendo estas representações vocativas e iconográficas dos doze principais orixás do Candomblé. Essas imagens resgatam a maneira como as religiões de matrizes africanas percebem a natureza, o alimento, a matéria em constante conexão com o divino, que se faz presente de muitas formas. Em suma, nas fotografias de performance de Ayrson Heráclito, a relação do corpo humano com a matéria orgânica é intrínseca, por mais óbvio que seja, o corpo se constitui de matéria plástica porém por vezes o corpo humano é dissociado da natureza, como se fosse dois extremos e opostos, numa relação de domínio e conflito

Palavras-chave


fotografia de performance; corpo e fotografia; arte afro-brasileira contemporânea; Ayrson Heráclito;

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