meistudies, 1º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Da Aldeia Global à Mobilidade

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A imagem e seus locais de permanência: de O Bordel sem Paredes, em Mcluhan, para a História e Memória, de Le Goff, e na nova visualidade das mídias sociais
Santiago Naliato Garcia

Última alteração: 2019-01-18

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

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Este artigo tem como objetivo estabelecer um diálogo entre o tema Fotografia, O Bordel sem Paredes, de Mcluhan (1964) e a obra História e Memória, de Le Goff (2006) na medida em que se situa uma produção fotográfica pré-Internet e seu devido local de recuperação. O mesmo exercício será realizado correlacionando ambos os autores e seus textos com o fenômeno midiático das novíssimas tecnologias e mídias sociais digitais com sua grande profusão de imagens fotográficas. O trabalho busca mais: discutir não apenas ambos os pensadores e relacioná-los, mas trazer tais conceitos para instrumentalizar uma olhadela nos fenômenos atuais da comunicação, em especial o Instagram, mídia que prioriza a imagem em seu mecanismo informacional e relacional, seja profissional, seja interpessoal.

Para Mcluhan (1964), a fotografia estende e multiplica a imagem humana em proporções de mercadoria produzida em massa. Ao mesmo tempo, ainda para o autor, ninguém pode desfrutar uma fotografia solitariamente. Para Le Goff (2006), por sua vez, é na relação Espaço e Tempo que se estabelece a memória e história a fim de apresentar e debater as visões historiográficas e os diversos protagonismos ao longo dos séculos. Fotografia é memória. Pode ou não retratar assuntos históricos. Traz a dureza das ações negativas humanas ao mesmo tempo em que é capaz de reapresentar momentos íntimos e saudosos da vida humana.

Sob este aspecto, iremos argumentar que as considerações acerca da fotografia estabelecidas por Mcluhan (1964) culminaram na proliferação inimaginada das atuais mídias sociais e instrumentos de sua flexibilização, como os celulares e tablets. Buscaremos em seu texto indícios deste fenômeno que se fez presente e que nos acompanha em boa parte do dia a dia; e indissociável, visto que se tornou extensão de nossos sistemas físico e nervoso. Após a discussão atenta do texto, relacionaremos com os pensamentos nos quais Le Goff (2006) afirma que os arquivos do passado (como a obra dos anos 60 de Mcluhan), continuam incessantemente a enriquecer-se, uma vez que novas leituras derivadas do presente que nasce no futuro, assegura aos elementos anteriores uma sobrevivência. O autor resgata em seu texto a transição entre o oral e o escrito, abrindo espaço para falarmos sobre a transição do escrito para as tecnologias. Exercício pertinente, portanto, e complementar às discussões iniciais.

Por fim, entenderemos os elementos citados por ambos os autores como necessários e presentes em nossa rotina diária. Seja a fotografia por meio das tecnologias digitais, proliferada pelo Instagram, cada vez mais extensão de algum sistema biológico humano, seja pela sua utilização enquanto suporte que acende em nós a memória (mais subjetiva que a história), a imagem, em quaisquer meios, constitui também memória, não mais oral ou escrita, mas imagética: publicada, é uma memória coletiva? Se for, para Le Goff (2006), a memória coletiva é também um instrumento e um objeto de poder. As implicações, neste caso, ultrapassam a noção dos meios de comunicação enquanto extensões humanas e nos atribui potencial de compreender a luta pela dominação da recordação e das tradições. Monumentos são suportes de memória coletiva.


Palavras-chave


Fotografia e Memória; Fotografia e Mídia Social; Media Ecology

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