meistudies, 1º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Da Aldeia Global à Mobilidade

Tamanho da fonte: 
Corporeidade e a construção de sentido em narrativas interativas infantis
Aline Frederico

Última alteração: 2019-03-06

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

INFORMAR SE PARTICIPOU DO CONGRESSO INTERNACIONAL COMERTEC


Narrativas interativas requerem que o leitor/interator engaje seu corpo para participar da história. As maneiras como os diferentes formatos de narrativa incorporam o corpo do leitor na construção do sentido narrativo, no entanto, varia significativamente, estando fortemente ligados às possibilidades tecnológicas eaffordancesdo dispositivo em que essas narrativas são veiculadas, além de estratégias narrativas tradicionais ou emergentes de gêneros diversos. Aplicativos literários são obras de literatura digital veiculadas no formato de aplicativo, disponibilizados para dispositivos móveis. Se tratam de uma literatura multimodal, ou seja, fazem uso de diferentes modalidades comunicativas, como a linguagem verbal e escrita, a imagem estática e em movimento, música e efeitos sonoros, além do corpo do leitor, para sugerir significados e construir uma história interativa. São também objetos híbridos, pois confluem as tradições e convenções narrativas da literatura impressa, do audiovisual e dos jogos eletrônicos em suas narrativas. Aplicativos literários são portanto um gênero emergente na ecologia dos meios contemporânea, num contexto de rápida difusão dos dispositivos móveis, e com destaque para como esses dispositivos são amplamente utilizados na primeira infância.

Nessa apresentação, serão discutidas as diferentes estratégias de uso do corpo do leitor e da gestualidade na construção das narrativas de aplicativos literários para crianças, refletindo sobre o papel desse engajamento do corpo na leitura e o posicionamento do leitor em relação à narrativa. Como estudo de caso será analisado o aplicativo Little Red Riding Hood[Chapeuzinho Vermelho], da editora inglesa Nosy Crow (Nosy Crow & Bryan, 2013). Nesse aplicativo, o tradicional conto de fadas da Chapeuzinho Vermelho é adaptado para uma versão em que o leitor participa ativamente da narrativa. Na floresta, há diversos caminhos a seguir, e o leitor tem o poder de decidir por onde Chapeuzinho deve ir. Nessa jornada, o leitor ajuda ainda a Chapeuzinho a coletar objetos pela floresta, participando de pequenos jogos. No final, esses objetos são usados para atacar o Lobo. Dependendo do caminho seguido e dos objetos coletados, o lobo enfrenta um final diferente (são três as possibilidades de desfecho). Nessas diversas formas de participação na narrativa, o leitor deve realizar uma grande variedade de gestos interativos, do tradicional toque na tela, passando por complexas combinações de movimentos, até participações bastante performativas, como soprar o tabletpara jogar sementes de dente de leão nos olhos do Lobo. Esse aplicativo foi selecionado devido à grande diversidade de gestos interativos e também porque esses gestos posicionam o leitor de maneiras diversas em relação à narrativa, por vezes atuando como controladores externos, outras vezes como ajudantes da Chapeuzinho e em alguns casos como se eles próprios fossem a personagem.

A análise será pautada num referencial teórico transdisciplinar que combina a semiótica social multimodal (Kress, 2010)com a teoria da narrativa interativa infantil (Schwebs, 2014; Zhao & Unsworth, 2017)e os estudos do gesto (McNeill, 1992; Parrill, 2009). Além na análise do aplicativo, serão consideradas as respostas leitoras a essa obra, resultado de um estudo da recepção desses aplicativos por crianças de 4 anos na Inglaterra. As crianças leram o aplicativo acompanhadas de pelo menos um dos pais, numa biblioteca pública. Através da observação das respostas desses jovens leitores, pretende-se ponderar sobre essas estratégias de utilização do corpo do leitor na narrativa e sua efetividade em termos de imersão e engajamento na história.

Referências Bibliográficas

Kress, G. (2010). Multimodality: A social semiotic approach to contemporary communication. Nova York; Londres: Routledge.

McNeill, D. (1992). Hand and mind: What gestures reveal about thought. Chicago; Londres: The University of Chicago Press.

Nosy Crow (Desenvolvedores), & Bryan, E. (Ilustrador). (2015). Little Red Riding Hood. (Versão 1.0.7).  Aplicativo Móvel. Recuperado de http://itunes.apple.com. Reino Unido: Nosy Crow.

Parrill, F. (2009). Dual viewpoint gestures. Gesture,9(3), 271–289. Recuperado de https://doi.org/10.1075/gest.9.3.01par

Schwebs, T. (2014). Affordances of an app: A reading of The Fantastic Flying Books of Mr. Morris LessmoreNordic Journal of ChildLit Aesthetics5. Recuperado de  https://doi.org/10.3402/blft.v5.24169

Zhao, S., & Unsworth, L. (2017). Touch design and narrative interpretation: A social semiotic approach to picture book apps. In N. Kucirkova & G. Falloon (Eds.), Apps, Technology and Younger Learners: International Evidence for Teaching(pp. 89‑101). Abingdon, Oxon; Nova York: Routledge.

 

 


Palavras-chave


Literatura infantil digital; Corporeidade; Aplicativos literários; Construção de sentido;

Texto completo:

PDF