meistudies, 1º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Da Aldeia Global à Mobilidade

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“O digital em primeiro lugar”: as mudanças recentes no Diário de Notícias de Portugal
Tarcineide Mesquita

Última alteração: 2019-01-17

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

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O jornal Diário de Notícias, popularmente chamado de DN pelos portugueses, anunciou em meados de 2018 uma série de mudanças, dentre as quais, que seria publicado em papel apenas uma vez por semana, a fim de fortalecer a sua presença diária na internet. Essa escolha é sintomática das grandes transformações por que vêm passando os meios impressos de todo o mundo. O Lloyd's List, então o jornal mais antigo do mundo, encerrou sua edição impressa para se dedicar apenas aos serviços online, em 2013. No Brasil, figuram na lista dos jornais centenários que cessaram publicação impressa para se efetivar no mundo digital O Mossoroense (Rio Grande do Norte, desde 2015) e o Jornal do Brasil (que passou em 2010 a ser o primeiro brasileiro 100% digital, mas acabou por retomar sua circulação imprensa em 2018). As mudanças do DN ainda estão em curso, tendo em vista que, no dia do seu aniversário de 154 anos (29/12/2018), anunciou a mudança do dia de chegada em banca (dos domingos para os sábados), com também previsão que em 2019 migrará para o formato tabloide e manterá uma nova organização de suplementos, atendendo a “pedidos do mercado”. Desde julho de 2018 com esta nova periodicidade, o DN registou uma média de circulação impressa paga de 8.430 exemplares entre Janeiro e Outubro desse ano, o que representou uma queda de 16,43 por cento face ao período homólogo de 2017. Em comparação, em julho, a circulação impressa paga por edição foi de 10.607 exemplares, enquanto em outubro sua edição semanal foi de 6.567 exemplares (APCT, 2018). Esta tendência decrescente pode explicar a necessidade de novas (senão urgentes) intervenções na versão impressa do DN. Mas, se por um lado a publicação em tela torna-se-á tabloide em tamanho, no que concerne ao seu conteúdo, a diretoria tem destacado na mídia portuguesa que a tabloidização das linhas editoriais está fora de questão, e que, ao contrário, o DN tem investido nos temas de investigação, históricos e com profundidade. O debate sobre “tabloidização” da informação surgiu no contexto da imprensa anglo-americana no final da década de 1990, argumentando, entre outras coisas, que o pânico das curvas descendentes das vendas e das receitas da publicidade da imprensa, tende a provocar uma degradação vertiginosa dos critérios de noticiabilidade (Bastos, 2014). Apesar de poucas evidências (Mesquita, 2018), em que pesa as diversas transformações editoriais que atravessaram o DN somente nos últimos anos, convém refletirmos sobre como a prioridade no digital pode contribuir para recuperar a identidade desse jornal centenário. Sendo assim, a proposta do presente trabalho é debater teoricamente como as mudanças ocorridas (e/ou previstas) no DN podem se configurar como um modelo viável de negócio para o jornalismo –em que há primazia pelo online, sem o abandono definitivo do impresso, e o mais importante: com a intenção de se resgatar o “jornalismo sério”.


Palavras-chave


Jornalismo Impresso; Modelos de Negócios; Tabloidização

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