meistudies, 1º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Da Aldeia Global à Mobilidade

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Arte, TV e a ubiquidade do corpo e do vídeo na experiência estética contemporânea
Regilene Sarzi Ribeiro

Última alteração: 2019-01-17

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

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Trata-se de um estudo sobre as relações entre arte e comunicação, corpo e vídeo. Refutamos a ideia de que a máquina televisual não pode produzir experiências estéticas potentes. Segundo Jacques Rancière (2008) depois da TV não há mais criticidade. O homem muda de canal e permanece diante da imagem televisual hipnotizado pelos impulsos luminosos, aprisionado à magia da imagem luz. Pensamento parecido é alimentado por Derrick de Kerckhove (2009) em a Pele da Cultura, quando o mesmo trata da televisão e faz da tecnologia, uma metáfora da pele do corpo humano. Segundo Phillippe Dubois (2004), a especificidade da maquinaria televisual é a transmissão à distância, ao vivo e multiplicada, reproduzida e amplificada pelos aparelhos receptores na forma de imagem em tempo real que pode estar em lugares diferentes. Dubois classifica a máquina televisual de Máquina ordem 04. Trata-se da primeira versão da imagem móvel de fato. Imagem onipresente, simultânea, sempre no presente, atual, “apresentada”. A regra é a distância e a multiplicação da imagem. Com o vídeo, a imagem viaja, circula e se propaga no presente, e mesmo sendo um registro do passado, simula uma copresença e gera um efeito de verdade. O real é mediatizado, e temos a imagem-mídia. Neste contexto, a imagem do vídeo permite um grau de conectividade entre passado e presente cujo corpo é o veiculo de interatividade.  O objetivo desta pesquisa é investigar em que medida corpo e vídeo interagem para produzir uma linguagem ubíqua, sempre presente e em constante atualização todas as vezes que o video da performance realizada diante das câmeras é exibido. A essência formativa da arte da performance e o conceito de videoperformance é o  “tempo e espaço simultâneos” cuja ação do corpo e a exibição da ação acontecem em “tempo real” como sendo aspectos estruturais de tais linguagens artísticas, sobretudo nas obras de artistas pioneiros dos anos de 1970. O conceito de videoperformance utilizado por Sharp (2013) é aquele em que o vídeo é considerado uma documentação quando se tem a performance acontecendo em tempo real. Como exemplo, a obra Claim (1971) de Vito Acconci na qual o artista/performer está sentado em uma cadeira no porão de uma galeria, separado do público por uma porta de metal. O que possibilitou a fruição da obra performática, que durou cerca de 3 horas, foi a câmera de vídeo que registrou a performance e a apresentou em um monitor de TV na sala acima para o público. Após o avanço das tecnologias que permitiram a documentação, o arquivo e o registro de performances e sua posteriori exibição, não mais em tempo real, mas no aqui e agora da exibição do vídeo surgem questões que expandem o conceito de videoperformance. Atualmente pesquisadores têm apontado para aspectos estéticos e plásticos dos registros em video das performances que demonstram que há uma sinergia entre a linguagem do video e a linguagem da performance no ato da documentação, que torna o registro uma obra de arte autônoma, um hibrido. A ubiquidade do corpo e do vídeo são frutos desta sinergia que exerce papel determinante na experiência estética contemporânea.


Palavras-chave


arte e comunicação; corpo e vídeo; videoperformance, ubiquidade do vídeo;

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