meistudies, 1º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Da Aldeia Global à Mobilidade

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Web Art e Obsolescência na Era Digital: o Projeto V: Vniverse, de Stephanie Strickland e Cynthia Lawson
Carolina Brandão Piva

Última alteração: 2019-03-11

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

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A Web Art está ligada, necessariamente, ao universo da rede mundial de computadores — a conhecida World Wide Web, ou simplesmente WWW. Produzida para a internet, e tendo a interatividade como principal elemento, a Web Art se materializa em um ambiente — o ciberespaço — no qual a utilização de dispositivos telemáticos, por novos/as e variados/as participantes/praticantes que não apenas os/as aceitos/as pelos museus e galerias de arte, e a própria característica intermidiática dos meios e recursos envolvidos na prática artística abrem precedentes para se pensar em um processo cada vez mais fluido, móvel, difuso, cambiante e interoperante, enredado com áreas que vão desde o cinema, o design, a arquitetura, a música, a comunicação, a literatura e a publicidade, até a ciência da computação e a engenharia de redes.

 

Menos pelo seu caráter interdisciplinar — afinal, não é exclusividade da Web Art a interconexão com outras áreas; basta recobrarmos alguns -ismos do início do século XX, como o futurismo e o dadaísmo, cujas propostas caminhavam neste sentido inter/transdisciplinar — e mais pelas diferentes especificidades (produtivas, expositivas, de interação e imersão) que abarca, a prática artística na era da new media art, com e pelos diversos mecanismos e ferramentas hoje disponíveis, estabelece uma nova percepção do próprio material artístico produzido que vai além do “ver”.

 

Ao entrar em jogo a notória pluralidade de suportes, materiais, técnicas e linguagens, entra em cena também uma nova pluralidade (indissociável) de elementos e participantes — o/a artista, a obra, o entorno, o contexto e o/a interator (aquele/a que interage com a obra ou evento artístico, também chamado/a de espectador/a-participante ou usuário/a); todos eles imbricados em um complexo sistema de tecnologias — e arqueologias — utilizadas na produção e transmissão do material artístico. É neste sentido que, decorridas apenas três décadas desde as primeiras produções em Web Art, coincidindo esse período (a segunda metade da década de 1990) com a difusão internacional da própria rede web junto ao grande público, questões como a efemeridade, a volatilidade e a obsolescência no tocante a essas produções já são suscitadas e merecem cada vez mais atenção e ponderações.

 

Tecnicamente falando, enquanto, por um lado, a tecnologia é constantemente atualizada — com o desenvolvimento de novos browsers ou plug-ins, por exemplo —, por outro lado, a marca do efêmero e do volátil se impõe sobre a recepção da Web Art, variando ainda conforme as especificidades do equipamento/dispositivo utilizado para acessá-las. Por sua constituição computacional (código, software, hardware), a visualização e o funcionamento/execução dessas produções dependem das configurações de cada computador ou dispositivo móvel visitante/participante.

 

Sob esta perspectiva, analiso neste artigo o projeto V: Vniverse, disponibilizado on-line em 2002, da poeta Stephanie Strickland e da webdesigner Cynthia Lawson Jaramillo. Baseado no livro homônimo publicado pela Penguin Books em 2002, V: Vniverse consiste em 47 poemas que, em sua primeira edição impressa, são divididos em duas partes (Losing L’una e WaveSon.nets) que se encontram exatamente no centro, representando o “V” do livro. Em sua versão digital (através da URL http://vniverse.com), os sonetos têm sua linearidade (inclusive rítmica) quebrada: dispostos em uma constelação dinâmica, os versos só surgem à medida que o/a usuário/a corre o mouse pelas formas que representam as estrelas do universo. A constelação pode ser vista como um diagrama performado à vontade do/a interator e, por esse motivo, se configura e reconfigura continuamente.

 

Além de analisar os recursos, ferramentas e demais configurações do V: Vniverse de Strickland e Lawson — que foi composto em Flash com a utilização do plug-in Shockwave —, bem como o exercício e as experimentações poéticas desta produção em Web Art, proponho trazer especialmente ao debate a questão da obsolescência técnica que as recentes — mesmo repetidas — mudanças nos modelos e recursos tecnológicos ocasionam aos projetos artísticos com estas características. Se, por um lado, a apropriação de dispositivos tecnológicos com o intuito de explorar seu potencial estético é patente na contemporaneidade como prática artística, por outro, há que se pensar que a arquitetura das redes e os novos padrões de metadados (para armazenamento, acesso e compartilhamento) impõem a criação de alternativas sobre como manter a Web Art “visualizável”, “executável” e mesmo acessível no universo das inovações cada vez mais emergentes hoje.

Palavras-chave


Web Art; Obsolescência na Era Digital; V: Vniverse; Stephanie Strickland; Cynthia Lawson

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