meistudies, 1º Congresso Iberoamericano sobre Ecologia dos Meios - Da Aldeia Global à Mobilidade

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Os meios e o campo fenomenal: conexões entre a Nova Ecologia dos Meios e a Fenomenologia da Percepção
Emili Adami Rossetti

Última alteração: 2019-01-15

Resumo


A inovação de McLuhan (1969) ao dizer que “o meio é a mensagem” (p. 21) foi apontar que, ao contrário do que se vinha estudando acerca da comunicação social, o sentido produzido pela comunicação não está somente no conteúdo veiculado, mas nos meios em si, pensamento que pode ser associado à fenomenologia da percepção de Merleau-Ponty para a compreensão da produção de sentido da mensagem midiatizada. Neste trabalho, fazemos essa ligação com foco na internet, devido a sua significância quanto ao número de usuários e por sua abrangência temporal e geográfica.

Se, como indicou McLuhan, os meios seriam extensões do nosso corpo, já que os veículos de comunicação dão a possibilidade de se ver e ouvir aquilo que os órgãos de sentido não podem captar sem auxílio de um veículo de comunicação, Merleau-Ponty defende que essa dilatação do espaço percebido, por si só, vem modificar os conceitos que explicam a realidade ao operar uma alteração do campo fenomenal, este determinante para a compreensão de mundo, dos objetos e do próprio sujeito.

Assim, diferente do que quer a ciência moderna, o sentido não pode ser captado por uma observação imparcial, pois é fruto da experiência do corpo-vivido que inclui as sensações, o eu, o outro e as coisas com que o sujeito se encontra para a construção de conhecimento a partir da história – individual e social – e da cultura, de sorte que todo contato com um objeto altera o observador. Com isso, o campo fenomenal em que se encontram sujeito e objeto também sofre modificações, o que provoca que este emane outro sentido ou sentidos diversos consoante o campo fenomenal de cada observador. Semelhantemente, a nova ecologia dos meios propõe que o sentido emitido não está apenas no conteúdo midiático, mas que, se o meio muda, o sujeito também muda: a matéria do conteúdo midiático não é única determinante para o sentido, pois a incorporação das diferentes maneiras de utilização demandada por cada meio à rotina dos indivíduos, assim como ao hábito social, modifica as interações entre sujeitos pelo meio, mas também com o meio. O próprio design do veículo sinaliza o teor, o conteúdo e o formato da mensagem, impõe limitações de fluxo, tema, formatação e edição. Mas não só: há limite relacionado à possibilidade de utilização por um determinado grupo de usuários, por motivo de necessidade de conhecimento ou de poder aquisitivo, o que os faz integrantes ou excluídos de organizações sociais que influenciam a percepção do outro.

As tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) atuais têm também a característica de incluírem qualquer usuário como produtor de conteúdo infocomunicacional. Essa mudança no fluxo, agora de muitos para muitos, altera também a criação de conceitos e oportuniza a aprendizagem de novas formas de estar no mundo, o conhecimento acerca de experiências que ressignificam a alteridade e a noção de lugar e de tempo, com exigência apenas de que emissor e receptor sejam nós na rede internacional de comunicação online, a internet. Em outras palavras, a vivência do corpo, que não se destaca dos sentidos produzidos pela própria atividade comunicacional que inclui o uso da tecnologia e os discursos a que se tem acesso, é somada a informações sobre outros contextos e conseguidas na instantaneidade do agora, ainda que estejam geograficamente muito distantes, que a língua do emissor e do receptor sejam diferentes (os navegadores de internet já possuem ferramentas que, num clique, traduzem webpages e mensagens), resultando na adição de conceitos e sensações que levam à constante produção de sentido.


Palavras-chave


Palavras-chave: produção de sentido; nova ecologia dos meios; fenomenologia da percepção.

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