meistudies, 1º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Da Aldeia Global à Mobilidade

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Didática Situada e Paradigma Ecológico: perspectivas e desafios para a escola
Lyana Virgínia Thédiga de Miranda, Magda Pischetola

Última alteração: 2019-01-17

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

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Nos discursos que permeiam o campo da educação, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) aparecem corriqueiramente como uma solução aos problemas da escola contemporânea. Atreladas à simples noção de que o novo é melhor do que o antigo, muitas das manifestações presentes nas instituições educacionais se movem numa herança de tipo dualística. Novo e antigo, tradicional e construtivista, sala de aula analógica e digital, professor e aluno são, sempre, tomados como elementos em contraposição.

Reforçando esta divisão, novas metodologias de ensino e aprendizagem são apresentadas como possibilidades de inovar a escola e, ainda, como sinônimos de educação de qualidade. Contudo, ao mesmo tempo em que as chamadas metodologias ativas incentivam os professores a adotarem as tecnologias em suas práticas, e a seguirem a cadência requerida pelas novas gerações de alunos, presenciamos no cotidiano da escola situações que nos levam a duvidar dos benefícios dessa inovação. Para nós, a maior questão está no paradigma adotado. Mudam os protagonistas – ora o professor, ora o aluno ou, ainda, ora as tecnologias estão no centro –, mas a perspectiva de fragmentação do todo continua a mesma.

Inserido nesse contexto, o presente trabalho pretende seguir uma rota alternativa, propondo a perspectiva ecológica da comunicação (McLuhan, 1964, Bateson, 1977) como possibilidade de abranger a totalidade das dimensões da didática, configurando-a em uma didática situada. No recorte apresentado, consideramos a sala de aula como um ambiente imersivo buscando, concretamente, operacionalizar a didática situada. As propostas construídas com base na didática situada foram realizadas com crianças de 11-12 anos, de duas turmas de sexto ano do ensino fundamental, de duas escolas públicas do município de Florianópolis, estado de Santa Catarina.

A proposta da didática situada busca entender cada situação didática de forma ecológica, considerando-a como um momento único, em que nem os sujeitos, nem os objetos e tampouco o ambiente, sejam o foco central da ação. Ao abandonar o caráter mecânico, importa para a didática situada se voltar às interações entre sujeitos, objetos e ambiente, na perspectiva da complexidade. Com base nessa premissa, e em modelos interdisciplinares, propomos um encontro da educação e da didática com o paradigma ecológico da comunicação, tendo sempre em mente a consideração de Postman e Weingartner (1969), segundo a qual deveria ser proibido aos professores fazerem perguntas das quais já conhecem a resposta.

Como compreendemos, a metáfora ecológica é uma importante estratégia para o discurso acadêmico-científico da comunicação na interface com a educação. Para a escola, isso acarreta na compreensão de estar inserida no cenário interconectado do qual todos fazemos parte. Para quem estuda a relação entre TIC e educação, isso implica em tirar o foco das técnicas e concentrar a atenção investigativa na cultura e no ambiente imersivo que as tecnologias digitais criam com sua presença.

Para a didática, a metáfora ecológica reforça a sua necessidade de se reinventar frente à cultura digital. Porém, ao contrário do que pregam as propostas de inovação – que busca transformar a escola enfatizando as novidades tecnológicas antes de se propor novas interações de seus integrantes – a  partir dessa consciência o horizonte da didática situada parece ser o de uma produção de conhecimento não “sobre”, mas “com” algo ou alguém.

Isso nos leva a questionar as abordagens didáticas que preveem ações ou relações pré-constituídas, assim como os elementos do discurso de inovação pedagógica, muitas vezes esvaziado de sentido teórico e prático.

Palavras-chave: didática situada, paradigma ecológico, TIC, escola

Referências

BATESON, G. Vers une écologie de l'esprit. Paris: Éditions du Seuil, 1977

MCLUHAN, M. Understanding Media: the extensions of man. New York: New American Library, 1964.

POSTMAN, N.; WEINGARTNER, C. Contestação – nova fórmula de ensino. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1978 [1969].

[1]Doutora em Educação – Universidade Federal de Santa Catarina – lyanathediga@gmail.com

[1]Doutora em Educação – Professora adjunta do departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – magda@puc-rio.br

 


Palavras-chave


Didática situada; Paradigma ecológico; TIC; Escola

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