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Revista AzMina: a plataforma online e as possibilidades heterotópicas feministas
Gabrielle Vívian Bittelbrun

Última alteração: 2019-01-17

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

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O universo das conhecidas revistas femininas se fundamentou sobre a ideia de que seriam canais de comunicação das e para as mulheres, o que foi reforçado por inúmeros editoriais e cartas voltadas para as leitoras. No entanto, análises anteriores (Bittelbrun, 2016) sinalizaram que magazines conhecidos voltados para o público feminino, a exemplo da conhecida revista Claudia, nem sempre foram tão representativos como propuseram, repetindo constantemente o modelo da mulher magra e branca, além de heterossexual e mãe. Mesmo títulos mais recentes, como a revista TPM, por vezes vacilaram em demonstrar a categoria mulheres em toda a sua heterogeneidade, reiterando padrões nem sempre muito distantes do tradicional veículo da Editora Abril.

Considerando os discursos voltados para as mulheres neste século 21, não podemos deixar de admitir algumas propostas que surgem fora do eixo das grandes publicações, a partir da plataforma online. Talvez como uma resposta às conhecidas recomendações de beleza e até à falta de representatividade nos grandes títulos da mídia impressa, nos últimos anos, despontam revistas independentes, de cunho feminista, atuantes na internet, como a revista online AzMina. Para Ana Beatriz da Silva (2017, p. 28), a internet facilitou o processo de produção de conteúdos alternativos àqueles dos grandes grupos editoriais, mobilizando a luta política de determinados grupos ou mesmo fazendo “circular a produção de representações fora do circuito institucionalizado do mercado”. Se os blogs estiveram entre as primeiras iniciativas com esse viés, as revistas eletrônicas que eclodem a partir de 2014 se consolidam como “uma arma política para as mobilizações do feminismo” (Silva, 2017, p. 4).

Por isso, lançamos os holofotes na revista digital AzMina, que surgiu em 2015. A revista evoca as conhecidas formulações de publicações admitidas como femininas, em termos de linguagem e de temáticas contempladas. Porém, tem emergido como uma iniciativa subversiva, que coloca em xeque o que foi ressaltado nos veículos impressos voltados para as mulheres, tanto em suas proposições relacionadas às mulheres, sobre os cuidados com o corpo e os relacionamentos amorosos, por exemplo, quanto nas personagens destacadas como referenciais estéticos e modelos de vida. A intenção, portanto, é observar quem são as mulheres trazidas por AzMina, e como isso se relaciona com questões de gênero, raça, representatividade, remetendo ainda a processos históricos e sociais. Levando em conta os estudos feministas e os estudos culturais e admitindo as publicações como narrativas contemporâneas, pretendemos analisar os discursos e os recursos utilizados pela revista online e o modo como se delimita como uma proposta diferenciada, que se torna possível a partir da internet. Consideramos que AzMina vem promovendo espaços heterotópicos, conceituados por Foucault (2001), sendo capaz de indicar outras possibilidades, como veículo de comunicação, tanto no quesito das atribuições de gênero como no quesito representatividade, em construções textuais que não haviam sido encontradas nas plataformas impressas. Mais do que isso, AzMina emerge como uma plataforma heterotópica feminista, nos termos de Tânia Navarro Swain (2003), o que merece ser analisado. Ao mesmo tempo, o veículo só consegue se viabilizar a partir das democráticas vias da internet, que facilita na disseminação das informações, na captação de recursos - a partir de financiamentos coletivos -, no diálogo mais próximo com o público e, especialmente, como supomos, na apresentação de personagens até então invisibilizadas na mídia, como um espaço de privilégio.

 

BIBLIOGRAFIA

Bittelbrun, Gabrielle V. (2016). A negra que não está na capa de revista. Anuário de Literatura, 21(1), 18p. Disponível em <https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/article/view/2175-7917.2016v21n1p170/32026>.


Foucault, Michel (2001). Outros espaços. In: Motta, Manoel Barros da (Orgs). Ditos e escritos, v. 3(p. 411-422). Trad. de Inês Autran Dourado Barbosa. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

 

Silva, Ana Beatriz R. P. Da (2017). Comunicação e gênero: as narrativas dos movimentos feministas contemporâneos (Dissertação de Mestrado), UFRJ, Rio de Janeiro, RJ.

 

Swain, Tânia (2003). As heterotopias feministas: espaços outros de criação. Labrys Estudos Feministas (3). Disponível em <http://www.tanianavarroswain.com.br/brasil/anah2.htm>. Acesso em: 12 nov., 2018.

 


Palavras-chave


Feminismo, Revista, Jornalismo, Estudos feministas

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