meistudies, 1º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Da Aldeia Global à Mobilidade

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O “eu” na narrativa de Sophie Calle: embates entre tradição e ruptura
Cristina Susigan

Última alteração: 2019-01-16

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

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As imagens tem uma potência que mesmo quando deixam de existir continuam a preencher um espaço. Este é o caso do ensaio fotográfico de Sophie Calle (1953-), Last Seen. A artista francesa, que explora temas de intimidade, identidade, e a conexão entre o artista e seus sujeitos, partirá do roubo de vários objetos do Isabella Stewart Gardner Museum em Boston, em 1990, para estabelecer uma narrativa que se cruzará com a obra de Johannes Vermeer (1632-1675) , O Concerto, que estava entre os objetos levados. Num roteiro imaginário construído através de entrevistas com curadores, guardas e outros funcionários, pedindo-lhes para descrever as obras ausentes, usou o texto das entrevistas e as imagens fotográficas para criar uma meditação visual sobre ausência e memória, bem como a reflexão sobre o poder emocional que as obras de arte mantêm em seus espectadores. Esta comunicação tem o intuito de estabelecer a relação entre a obra do mestre holandês e a apropriação feita por Calle, através do meio fotgráfico, e o entrecruzar destas duas obras, estabelecendo os pontos de sobrevivência entre elas, a ruptura com a tradição, ao mesmo tempo que mantém a sua aura ao difundir as imagens do lugar de pertencimento destas obras. Através do teoria de Aby Warburg (1886-1929) e sua Nachleben, que Georges Didi-Huberman (1953-) nos trará como sobrevivência das imagens, tentaremos aproximar as duas obras: a primeira, não mais visível no museu – apesar de Isabella Gardner ter mantido as galerias da mesma maneira que estavam antes do roubo, mantendo assim a sensação de perda permanente, um elemento vazio no espaço museológico – a de Vermeer e o ensaio fotográfico de Calle, ocultando a imagem que ali deveria estar agregada com textos da memória daquela imagem. Como salientou Pieranna Cavalchini , curadora de Arte Contemporânea do Museu de Boston: “(…) Ela criou obras que lidam com a perda da visão, perda através da morte, pessoas desaparecidas, identidades perdidas ou experiências que devem ser recriadas a partir de lembranças. A ausência e memória são tópicos cruciais que percorrem todos os seus projetos. Um lembrete de quanto poder a arte e, trazer vida, energia e beleza para o que é, em essência, uma história interminável de perda”. Serão estes elementos que normearam nosso pensamento.


Palavras-chave


Sophie Calle; Nachleben; Memória; Fotografia

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