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Criação de Roteiros com a Colaboração de Inteligência Artificial
Leandro Vieira Maciel

Última alteração: 2019-01-14

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

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Criação de Roteiros com a Colaboração de Inteligência Artificial

O artigo trata do uso de programas avançados de inteligência artificial como instrumentos de “criatividade aumentada”. Iremos analisar como artistas têm se valido destes sistemas de computadores em processos de escrita criativa, entre eles o de roteirização audiovisual. Ao realizar esta análise, discutiremos as possibilidades de inovação das narrativas que nascem nesse processo.

Atualmente um sistema computacional pode aprender a ler e escrever a partir de qualquer tipo de texto que lhe é fornecido. Sobre isso, o professor de computação  e especialista em linguagem natural, Cristopher Manning, afirma que “a precisão do reconhecimento de texto chegou a um ponto de inflexão, indo de 80 % em 2009 até cerca de 95 % recentemente”[1]. Os resultados mais avançados se alcançam com redes neurais, um conjunto de processadores que simula a biologia da mente humana, com as partes atuando como neurônios. Organizadas dessa forma, as máquinas podem ser treinadas a, por exemplo, reconhecer caracteres e então palavras, até conseguir lidar com regras gramaticais.

O uso nas artes em geral  e naquelas que se valem da palavra, como a poesia, a literatura e, mais especificamente, o roteiro audiovisual, está sendo impactado pelo uso dessa tecnologia. Artistas como Allison Parrish e  Ross Goodwin têm se valido dela para novas experiências narrativas. Goodwin programou a inteligência conhecida como Benjamin, que foi capaz de escrever os curtas-metragens  Sunspring (2016) e It’s no Game (2017). Benjamin, ao combinar caracteres, fornecidos por um corpo de roteiros de ficção científica, dicionários e poesia moderna, permitiram a composição dos roteiros dos curtas.

Goodwin aponta como a inteligência artificial poderia colaborar com o processo da escrita:

 

Se empregarmos inteligência artificial para aumentar nossas atividades de escrita, vale a pena perguntar como essa tecnologia afetaria a forma como pensamos sobre a escrita - e como pensamos no sentido geral.

Ao produzir máquinas de escrever totalmente automatizadas, estou apenas tentando demonstrar o que é possível apenas com uma máquina. Em minha pesquisa, estou me esforçando para produzir dispositivos que permitam aos humanos trabalhar em conjunto com máquinas para produzir trabalho escrito. Minha ambição é aumentar nossa criatividade, não substituí-la. (https://medium.com/artists-and-machine-intelligence/adventures-in-narrated-reality-6516ff395ba3, acessado em 14/11/2018)

 

 

 

Goodwin utilizou uma tecnologia conhecida como LSTM RNN , ou Long short-term memory in a Recurrent Neural Network, onde um sistema em rede neural recebe um conjunto de caracteres, prevendo o que será o próximo caractere justamente se baseando no que aprendeu anteriormente. O que o artista fez foi configurar o computador para que copiassem um certo material, até que conseguisse escolher as palavras por si mesmo.

Fazendo isso de forma recorrente, o computador pode gerar texto numa sequência de eventos com alguma relação de causa e consequência, como a que se vê em no curta-metragem Sunspring. O modelo parte de um princípio matemático, uma vez que os computadores só entendem estas operações. Como o interesse principal destes artistas é a originalidade e a força imagética, ela é alcançada através destas máquinas.  Mas a potência do processamento de dados de um computador a sua capacidade de absorver uma quantidade imensa de informação e assim mimetizar e gerar textos consequentemente pode criar estruturas narrativas mais complexas?  O uso de randomização a partir de determinados padrões artísticos no ato de se gerar um texto é um novo mecanismo criativo? Nosso artigo irá investigar se toda essa capacidade computacional aponta para a inovação na narrativa contemporânea.

 


[1] https://www.washingtonpost.com/news/the-switch/wp/2016/04/07/why-poets-are-flocking-to-silicon-valley/?noredirect=on&utm_term=.79e60a519d4b, acessado em 17/11/2018

 


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