meistudies, 1º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Da Aldeia Global à Mobilidade

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Ensino de Arte: Redes de Aprendizagem entre as salas de aula e as plataformas Digitais
Alice Fátima Martins, Bárbara Stela Oliveira, Maria Angélica Soares

Última alteração: 2019-01-17

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

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Este trabalho discute estratégias de desenvolvimento de projetos educativos voltados para o campo das artes, que dialoguem com ambientes intermidiáticos\multimídiáticos, fazendo uso de aplicativos e plataformas digitais diversas voltadas à pesquisa, compartilhamento e interatividade.

Os processos ideológicos, as mudanças culturais, as dinâmicas da vida contemporânea requerem um redimensionamento dos modos de pensar a educação e a inserção das perspectivas artísticas, ampliando essas noções nos processos de produção e de apropriação dos fluxos imagéticos. A dispersão, recorrente nas salas de aula, revela um distanciamento dos modelos educativos em relação à cultura juvenil. Metodologias ultrapassadas, apego à disciplina, a figura do velho mestre ainda persistem, pouco dizendo sobre o cotidiano dos estudantes. As relações que estabelecemos com as tecnologias prometem rotas de fuga das angústias do confinamento das paredes tão definidas nas instituições educacionais (SIBILIA, 2012).

Recentemente foi aprovada a Base Nacional Comum Curricular, BNCC, estabelecendo o currículo mínimo da Educação Básica. A ênfase recai no ensino da Língua Portuguesa e da Matemática. O ensino de Artes e outras áreas de conhecimento passam a integrar o conjunto das disciplinas optativas. O acesso ao mundo das artes, já precário à maior parte da população, fica ainda mais restrito.

Nesse contexto, a cultura visual apresenta-se como um campo capaz de operar com as demandas que se colocam, tanto por parte das políticas públicas, bem como pelas configurações de visões de mundo a partir dos complexos vetores que envolvem a cultura contemporânea. O que inclui todas as transformações nos modos de produção de informação, nas velocidades de compartilhamento, nas maneiras como os quotidianos se transformaram em decorrência da cultura digital.

No tocante à educação, a rede mundial de computadores e as mídias digitais possibilitam diversos caminhos para as aprendizagens e mediações de conhecimento. O estudo das culturas digitais denota o potencial dessas ferramentas como propiciadoras de uma educação mais ativa. O estudante pode deslocar-se da posição de receptor passivo de conhecimento para a de questionador ativo. O mesmo vale para o ensino da arte, tendo em vista a formação de pessoas críticas e ativas na sociedade.

Rocha (2011) destaca a imersão da sociedade contemporânea na cultura digital, com  os recursos tecnológicos afetando cada vez mais as pessoas. O interesse cultural pela tecnologia é crescente tanto na composição das experiências sociais, quanto na possibilidade de sua compreensão, desenvolvimento e inovação. Javier Rodrigo Montero (2015) reitera: as narrativas audiovisuais digitais têm grande potência pedagógica, com seu projeto Transdutores, que investiga iniciativas e práticas artísticas colaborativas, intervenção política e educação, baseadas na ação de grupos interdisciplinares. Os cenários que Montero levanta nos ajuda a colher elementos críticos reflexivos para pensar a dimensão de nossas práticas pedagógicas atualmente. Pedagogias em rede e pedagogia colaborativa abrindo caminhos para novas projetos/práticas pedagógicas criando conexões em outros meios de adquirir conhecimento e compartilhá-los.

As plataformas digitais podem dar acesso a um grande número de imagens, textos, vídeos, jogos, sons, animações, produções muita das vezes criadas por uma iniciativa coletiva, que divide experiências, se compartilham e são comentadas. O espaço digital abre espaços para que além de receptores, os usuários possam interagir com a tela e também criar.

Considerando-se a popularização dos aparatos e redes digitais de informação, bem como o interesse dos jovens por esses recursos, e pensando nas práticas pedagógicas do ensino de arte, é necessário inovar constantemente dispondo de artifícios para desenvolvimento de novos projetos para a educação, a qual não deve compor de metodologias ultrapassadas de conteúdos resistentes à mudanças, e perguntar sobre estratégias que contribuam para estabelecer relações com projetos criativos e plataformas digitais.

Referências

BNCC Base Nacional Comum Curricular. Ministério da Educação. Disponível em <basenacionalcomum.mec.gov.br/>. Acesso em 19 dez. 2018.

MONTERO, Javier Rodrigo; ALCAIDE, Antonio Collados. Retos y complejidades de las prácticas artísticas colaborativas y las pedagogías colectivas. Revista Pulse, 38. pp. 57-72, 2015. Disponível em <http://revistas.cardenalcisneros.es/index.php/PULSO/article/view/187/161>. Acesso em 20 dez. 2018.

ROCHA, C. Deslumbramentos e encantamentos: estratégias tecnológicas das interfaces computacionais. In Zona Digital, Ano I, nº 3, 2011. Disponível em: <http://zonadigital.pacc.ufrj.br/deslumbramentos-e-encantamentos-estrategias-tecnologicas-das-interfaces-computacionais/>. Acesso em 21 dez. 2018.

SIBILIA, Paula. Redes ou paredes: a escola em tempos de dispersão. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.




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