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O Fenômeno Comunicacional do Ativismo Coletivo Feminino em Tecnologia e seu impacto Transmídia pelo Storytelling: estudo de caso Minas Programam
Renata Loureiro Frade

Última alteração: 2019-03-10

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

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O surgimento e o fortalecimento de grupos femininos ativistas empoderados e empreendedores em Tecnologia da Informação, brasileiros e portugueses, ocorreram com maior ênfase nos últimos dez anos. Tal fenômeno é uma consequência de contextos histórico, social e econômico na transição do século XX ao XI, detalhados pelo sociólogo Manuel Castells (2002, 2013, 2018) em sua trilogia A Era da Informação. O pesquisador destaca como a Web foi importante às mulheres na democratização do acesso a tecnologias de uso doméstico e profissional, tradicionalmente produzidas e consumidas por homens. Novos ganhos de poder e de representatividade social - a partir das interações, conexões e ativismo online por organizações não-governamentais (ONGs) -, permitiram uma reversão de jogos de poder tradicionais em processos de comunicação por minorias, em redes digitais.

 

A força da coletividade e do fluxo infocomunicacional deste ativismo feminino é catalisadora do desenvolvimento pessoal em TI para cada integrante. Há regras de funcionamentos operacional e comunicacional comuns a cada grupo. Definidas pelas líderes, são disseminadas pelas voluntárias. Mulheres impactadas que concordam com estas diretrizes são aceitas para participar de campanhas, eventos, cursos online e presenciais. Plataformas digitais (em especial Google e social media, como Facebook, Instagram, YouTube, Twitter) são as principais portas de entrada de novas integrantes. A informação (dados estatísticos e cursos, narrativas/storytelling testemunhais de engajamento e empoderamento) é produzida pelas líderes e compartilhada em conjunto por elas e por voluntárias, através das mídias, para os públicos-alvo (novas integrantes e formadores de opinião).

 

Nos últimos 20 anos algumas teorias feministas enfatizaram a relação entre mulheres e tecnologia e o consequente impacto na identidade de gênero, inclusão social. “We live in a technological culture, a society that is constituted by science and technology, and so the politics of technology is integral to the renegotiation of gender power relations”. (Wajcman, 2010, p.151)

 

A partir de pesquisa realizada por um ano (2018) com 12 grupos brasileiros e portugueses de mulheres ativistas em Tecnologia – através de entrevistas com líderes, monitoramento de plataformas digitais e presença em eventos presenciais – foram levantados objetivos comuns entre estas organizações voluntárias: Formação da Cultura Maker; Educacional (foco em escolas); Empreendedorismo; Político/Social.

 

O transmedia storytelling (Jenkins, 2006) tem sido terreno teórico para a análise do ativismo político e de minorias. Cada vez mais narrativas são propagadas por ativistas, em múltiplas plataformas, para mobilização de seus públicos-alvo. Desde a definição do conceito de Jenkins, inicialmente ligado ao entretenimento, houve desdobramentos de narrativas transmídia na educação, esportes, cultura e, também, no ativismo social, como apontam Ibrus & Scolari:

 

We need to reinterpret transmedia as an important outcome and as a source of contemporary cultural and social complexities—not only as new forms of cultural texts and media institutions or practices but also as new forms of scarcity, inequality, and power struggles. That is, it is necessary to become explicitly concerned about all the manifestations of social power that have conditioned the emergence of transmedia practices and about the new forms of dominance that these practices may have enabled. (Ibrus, Scolari, 2014, p. 2193)

 

Este trabalho visa apresentar um estudo de caso da comunidade em Tecnologias da Informação (TI), Minas Programam (MP). O grupo é uma das iniciativas coletivas brasileiras e portuguesas que, de maneira acentuada há uma década, destacaram-se por conquistas profissionais e na Ciência em TI. Como as narrativas (storytelling) são a principal forma de mobilização e engajamento de líderes e voluntárias junto ao público-alvo (impactadas), a escolha da organização para este trabalho ilustra a configuração de um sistema comunicacional e transmídia ativista. O reuso da informação pelos públicos-alvo em uma cadeia transmídia multiplataforma, movidos pelo storytelling, também será contemplado na análise. “The key to transmedia social impact campaigns is to harness the power of media narratives to activate audience’s passion to act for the benefit of social and civic good”. (Gambarato, Medvedev, 2017, p. 34)

 

Minas Programam pode ser considerado um exemplo de fan activism (Gambarato & Medvedev, 2017), conceito que relaciona elementos da cultura de fã, voluntariado e ativismo e reforça que as experiências de mídia compartilhadas, o senso de comunidade e o desejo de ajudar emergiram como características que poderão unir o fandom e a aspiração empreendedora e empoderada feminina em TI.

 

Referências Bibliográficas

 

Campalans, C., Gosciola, V. & Renó, D. (2012). Narrativas transmedia - Entre teorías y prácticas. (1a ed.). Bogotá: Editorial Universidad del Rosario.

 

Castells, M. (2002). A sociedade em rede. (R. Majer, Trad.). (6a ed.). São Paulo, Brasil: Editora Paz e Terra.

 

Castells, M. (2013). Communication Power. (2nd ed.). Oxford: Oxford University Press.

 

Castells, M. (2018). O poder da identidade. (K. Gerhardt, Trad.). (9a ed.). São Paulo, Brasil: Editora Paz e Terra. Kindle Version.

 

Creech, B., Lashley, M. & Jenkins, H. (2017). Voices for a New Vernacular: A Forum on Digital Storytelling. Interview with Henry Jenkins. International Journal of Communication, 11, Forum 1061–1068.

 

Gambarato, R., Medvedev, S. (2017). Transmedia Storytelling Impact on Government Policy Change. In Ibrahim, Y. (Org.), Politics, Protest, and Empowerment in Digital Spaces, p. 31-51. Hershey, PA: IGI Global.

 

Ibrus, I., Scolari, C. (2014). Transmedia Critical: Empirical Investigations into Multiplatform and Collaborative Storytelling. International Journal of Communication, 8, Forum 2191–2200.

 

Jenkins, H. (2009). Cultura da convergência: a colisão entre os velhos e novos meios de comunicação. (S. Alexandria, Trad.). (2a ed.). São Paulo: Aleph.

 

Jenkins, H., Green, J. & Ford, S. (2015). Cultura da conexão: criando valor e significado por meio da mídia propagável. (P. Arnaud, Trad.). (1a ed.). São Paulo: Editora Aleph.

 

López, M., González, E. (2016). La lucha está en el relato. Movimientos sociales, narrativas transmedia y cambio social. Cultura, Lenguaje y Representación/Revista de Estudios Culturales de la Universitat Jaume I, v. 15, p. 139–151. Recuperado de http://www.e-revistes.uji.es/index.php/clr/article/view/2159/1847 Acesso em: 21 de dezembro de 2018.

 

Wajcman, J. (2010). Feminist theories of technology. Cambridge Journal of Economics, 34, pp. 143–152.

 

 


Palavras-chave


Transmedia; Storytelling; Cultura Participativa; Tecnologia; Gênero.

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