meistudies, 1º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Da Aldeia Global à Mobilidade

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As Travessias da Ficção Seriada na TV Brasileira
Adriana Pierre Coca

Última alteração: 2019-01-17

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)

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A reflexão problematiza como a ficção seriada brasileira está se reconfigurando diante das transmutações do atual contexto comunicacional audiovisual, buscando observar narrativas que transitam na periferia da semiosfera, a partir da noção teórica de tradução do semioticista Yuri Lotman (1999). O aporte teórico-metodológico principal é a Semiótica da Cultura (SC), considerando que os sistemas culturais transcorrem em um espaço semiótico que Lotman (1996) denominou semiosfera, dimensão abstrata que acolhe os encontros entre as diferentes culturas. A semiosfera abarca tudo o que é próprio da significação, constituindo-se como o ambiente propício para a semiose (processos de significação). Como “espaço” de realização da semiótica, a semiosfera está em constante movimento, porque, assim como comporta as tensões internas entre os textos da cultura, está “aberta” à informação externa/nova. A semiosfera, segundo o autor (LOTMAN, 1998) se compõe de um centro, um núcleo duro composto de elementos invariantes e no qual os códigos, as regras dos sistemas culturais são mais rígidos. É onde se concentram, por exemplo, os textos televisuais hegemônicos, consequentemente, as narrativas de ficção pautadas por elementos regulares, a exemplo das telenovelas da TV aberta, em sua maioria. Por outro lado, as fronteiras das semiosferas se compõem de elementos variantes, que permitem as remodelações dos sistemas culturais, sendo espaços ocupados por textos que estão mais suscetíveis a mudanças e que dão acesso a novas informações, permitindo a reconfiguração dos sistemas, como as produções televisuais pensadas para serem exibidas também na internet, por vezes, antes da sua veiculação na televisão, a exemplo da série Carcereiros (TV Globo/2017), que também sinaliza reconfiguração em relação ao conteúdo ou ainda, aquelas que se constituem a partir de alguns elementos constantes da linguagem televisual, como o elenco, aliado a outros irregulares, como a complexificação narrativa e que são criadas para ir ao ar apenas na internet, esse é o exemplo da série Assédio, também produzida pela TV Globo (TV aberta, maior produtora e exibidora de teleficção no Brasil), que teve apenas o primeiro episódio colocado no ar na televisão, a produção foi criada para a plataforma streaming da emissora, a Globo Play. A reflexão é sobre as mutações em relação ao formato, mas também ao que tange o conteúdo e a estética dessas histórias que também estão sendo remodelados. Logo, a mobilidade entre os sistemas da cultura é possível por meio de um processo de tradução, o que faz parte do mundo externo a um sistema cultural pode penetrar no mundo interno de outro sistema e vice-versa. Pois, as semiosferas se sobrepõem e se interseccionam, cada uma delas com potencial para o diálogo, a troca semiótica. Não à toa, podemos notar aspectos regulares de séries inclusive em narrativas canônicas/tradicionais, como é o caso das novelas brasileiras, a exemplo da telenovela das 9 da noite, O sétimo guardião (TV Globo/2018), em exibição, que teve cenas dignas de uma história de terror seriada compondo o capítulo de estreia, ou seja, as traduções operam em uma via de mão dupla. No entanto, a informação que está fora do espaço da semiosfera só pode se integrar ao que está dentro se for “traduzida”, a fronteira funciona como um mecanismo de semiotização que transforma informações externas (não-texto) em texto (MACHADO I., 2003). Essa é a função cabal da tradução dos textos da cultura entre os sistemas – que são unidos e separados pelas fronteiras, uma espécie de membrana maleável que os envolve e que permite a “entrada”, a tradução do que é externo para o interior. Assim, por meio dessas travessias, ocorrem as incorporações, expansões e mudanças na cultura, processos nos quais estão imersos os textos de ficção seriada que nos propomos a refletir nesse artigo. Não vamos eleger determinado objeto empírico a ser observado, exemplos serão entrelaçados, a partir da análise de cenas, à teoria no decorrer da discussão, conforme procuramos fazer de modo sucinto no presente resumo.

Referências

LOTMAN, I. M. (1999). Cultura y explosión. Lo previsible y lo imprevisible en los procesos de cambio social. Barcelona: Gedisa. Barcelona: Gedisa.

______ (1996). Semiosfera I - semiótica de la cultura e del texto. Madrid: Cátredra.

______ (1998). La Semiosfera II. Semiótica de la Cultura, del Texto, de la Conducta y del Espacio. Madrid: Ediciones Frónesis Cátedra Universitat de Valencia.

MACHADO, I. (2003). Escola de semiótica – a experiência de Tártu-Moscou para o estudo da cultura. São Paulo: Ateliê Editorial/FAPESP.

Referências

LOTMAN, I. M. (1999). Cultura y explosión. Lo previsible y lo imprevisible en los procesos de cambio social. Barcelona: Gedisa. Barcelona: Gedisa.

______ (1996). Semiosfera I - semiótica de la cultura e del texto. Madrid: Cátredra.

______ (1998). La Semiosfera II. Semiótica de la Cultura, del Texto, de la Conducta y del Espacio. Madrid: Ediciones Frónesis Cátedra Universitat de Valencia.

MACHADO, I. (2003). Escola de semiótica – a experiência de Tártu-Moscou para o estudo da cultura. São Paulo: Ateliê Editorial/FAPESP.


Palavras-chave


Semiótica da Cultura; Ficção Seriada Brasileira; Semiose; Fronteira; Tradução.

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