meistudies, 2º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Mulher e Gênero no Ecossistema Midiático

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A Mobilização Feminina no Big Brother Brasil 2020
Osvando de Morais, Paulo Henrique Ferreira Nascimento

Última alteração: 2020-03-31

Resumo


A sistemática de violação dos direitos das mulheres é algo que permeia a sociedade brasileira e está enraizada na cultura machista em que estamos inseridos. A reprodução do estereótipo de gênero tem criado barreiras para a promoção da igualdade de direitos entre homens e mulheres, antes intransponíveis, mas que agora com a penetração das mídias digitais, criam redes de resistência, empoderamento, defesa de direitos e empatia.

Discussão

O Reality Show Big Brother Brasil está exibindo o conflito de gêneros e a luta das mulheres participantes do reality contra a cultura machista que evidencia esse extrato social tão solidificado na cultura brasileira.

A edição tem mostrado esse comportamento como não havia feito em edições anteriores, gerando um sentimento de justiça não apenas entre os participantes confinados, mas no público que acompanha o programa

De acordo com Norris (1997), o direcionamento da representação das mulheres são um produto da interação entre a mídia, a agenda que propaga e o público. E nesse sentido, a mídia representa um grande ator na promoção da igualdade de direitos e na mobilização por causas sociais, pela democracia, pelo desenvolvimento humano e pela educação já que “as mulheres vêm sendo excluídas e incluídas na esfera pública pelas significações e formas de valorização associadas ao que se entende como feminilidade (Biroli, 2010) ”.

O presente trabalho tem o objetivo de analisar o contexto em que as questões de gênero e o papel da mulher estão sendo abordados na edição 2020 do programa de modo aumentar a participação da mulher nas mídias, estimular a quebra de estereótipos e preconceitos, repensar a forma como esses estereótipos são divulgados e comunicados, são o caminho mais curto para se chegar a um mundo com igualdade de gênero de modo que as mulheres possam fortalecer seus diferentes papéis na sociedade.

Porém, sabe-se que esse é um caminho longo que ainda está sendo percorrido e desbravado por grupos destemidos e corajosos que a cada passo dado quebram pequenas partes do muro da desigualdade de gênero.

Referências Bibliográficas

BIROLI, Flávia (2010), “Gênero e família em uma sociedade justa: adesão e crítica à imparcialidade no debate contemporâneo sobre justiça”, Revista de Sociologia e Política, 18(36), 5165.
DOI : 10.1590/S0104-44782010000200005

Mulheres e mídia é a esfera que apresenta maior número de tarefas pendentes. Disponível em: http://www.onumulheres.org.br/noticias/mulheres-e-midia-e-a-esfera-que-apresenta-maior-numero-de-tarefas-pendentes-diz-onu-mulheres-a-entidades-filiadas-a-associacao-internacional-de-radiodifusao/. Acesso em: 04 de fevereiro de 2020

Tendências mundiais sobre liberdade de expressão e desenvolvimento da mídia. Brasília: UNESCO, 2016.108p. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000229704. Acesso em: 04 de fevereiro de 2020



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