meistudies, 2º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Mulher e Gênero no Ecossistema Midiático

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Representações do Feminino em Adaptações de Hamlet: Intermidialidade e Ensino Crítico de Literatura Anglófona
Erika Viviane Costa Vieira

Última alteração: 2020-03-11

Resumo


Muito se discute atualmente sobre o uso de ferramentas digitais e mídias nos processos de ensino e aprendizagem de língua estrangeira, ao passo que sobre o ensino de literatura estrangeira não se constata o mesmo entusiasmo. Contudo, verifica-se que os processos de ensino aprendizado de literatura sempre foram atravessados por mídias diversas como recurso didático, mesmo que inadvertidamente. O uso de mídias pode estimular o pensamento, ampliar pontos de vista e expandir o alcance dos discursos. O estudo da literatura sob o viés da intermidialidade contribui para a construção de metodologias que contemplam a leitura de materiais impressos, visuais,  sonoros e híbridos que possuem significativa influência nos contextos sociais e artísticos no cenário contemporâneo.  Semali (1999) nos lembra que a educação moderna requer a habilidade de ler e escrever criticamente com e através de vários sistemas sígnicos. Sendo assim, o ensino de literatura estrangeira nos oferece um amplo campo de estudos, pois um texto literário pode reconfigurar-se em forma de filme, webcomic, quadrinho, pintura, charge, meme, entre tantas outras possibilidades. A condição de “literatura estrangeira” das literaturas anglófonas nos currículos dos cursos de Letras na atualidade nos faz refletir sobre os desafios críticos que acompanham essa designação, bem como a necessidade de se repensar seu papel. Uma das formas de contato com esta literatura pelos estudantes tem sido, muitas vezes, por meio de adaptações em mídias diversas. A adaptação consiste em uma das formas de transposição midiática nos termos de Irina Rajewsky (2012), entre outras formas de intermidialidade. Esse conceito, conforme Claus Clüver (2008) e Irina Rajewsky (2012), tem contribuído para ampliar o repertório de leitura, não apenas de textos, mas de mídias, em diferentes linguagens artísticas, e seu sentido está associado a práticas artísticas híbridas, que se situam nos limiares entre dois gêneros distintos. Entretanto, a adaptação tem o poder de forjar diferentes interpretações para o texto fonte, embora nenhuma delas substitui a experiência de leitura dele. Como o viés do letramento crítico é capaz de agregar conhecimentos das mídias, das teorias sociais, das lutas de classe, gênero e raça, entre outras agendas políticas, este trabalho irá se concentrar nas discussões de representação de gênero, mais precisamente da mulher, em mídias diversas. Para isso, este trabalho vem propor uma abordagem crítica para a práxis do uso de adaptações nas aulas de literatura inglesa, tendo em vista os variados aspectos de produção e recepção que norteiam as produções adaptadas. Para tanto, o texto de Shakespeare, Hamlet, Príncipe da Dinamarca será usado como texto fonte e estudo de caso. Dessa forma, espera-se contribuir para que a literatura anglófona e seu ensino possam se integrar de maneira intermidiática, culturalmente e criticamente informadas.


Palavras-chave


Intermidialidade; Adaptação; Ensino de Literatura Estrangeira

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