meistudies, 2º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Mulher e Gênero no Ecossistema Midiático

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O Caso “Não é Não!”: uma análise de sentimentos sob a perspectiva da ARS
Marina Lisboa Empinotti, Rita de Cássia Romeiro Paulino

Última alteração: 2020-03-11

Resumo


Apesar de relativamente antiga nas ciências humanas, a noção de rede ganhou força quando a tecnologia auxiliou na construção de redes sociais conectadas pela internet (Martino, 2015).  Howard Rheingold (1993), o primeiro a comentar sobre as comunidades on-line, descreveu-as como agregações sociais que emergem de uma rede quando as pessoas estão suficientemente engajadas por um tempo determinado. À época, a comunicação em uma comunidade não fluía por diversos motivos: timidez, medo de se expor ou dificuldade de lidar com aparatos tecnológicos. Hoje, essas podem ser consideradas questões superadas. Buscam-se métodos de classificar e reconhecer as interações em rede, nas chamadas Comunidades Virtuais de Prática (CVP) (Wenger; McDermott; Snyder, 2002).

Nesta análise buscamos reconhecer os participantes envolvidos, seus papeis como membros do núcleo principal ou periféricos, as redes de comunicação formadas entre eles, tensões provocadas pela participação e pistas sobre os sentimentos envolvidos nas conversas, a partir do uso de palavras-chave. Mapeamos e analisamos 570 comentários do Twitter relacionados à hashtag #naoenao, vinculada ao movimento feminista “Não é Não!”, com o objetivo de extrair informações além do texto, que identificam o sentimento, posicionamento ou percepção das pessoas acerca do tema.

O caso se refere ao movimento criado em 2017 no Rio de Janeiro, mas que se espalhou pelos outros 15 estados brasileiros até o momento, através de campanhas de financiamento coletivo. A ação distribui tatuagens temporárias com os dizeres “Não é Não!” para serem usadas por mulheres durante o Carnaval. A ideia é fomentar o debate sobre o assédio, especialmente durante o período de festas populares como o Carnaval. A análise aponta que, entre os termos mais recorrentes nos tweets, estão não somente os mais utilizados nas campanhas (violência, carnaval, assédio, mulheres), mas também duas repercussões opostas que monopolizaram o debate nas Redes Sociais. Os termos Deputado e PSL-SC, por exemplo, referem-se à repercussão negativa da declaração de deputado que criticou a campanha por entender que ser assediado é um “direito” de todos, e que “massageia o ego”. Estes últimos termos também configuram entre os mais utilizados pelos usuários.

Por outro lado, a repercussão positiva foi direcionada ao posicionamento da NSC TV, afiliada Globo em Santa Catarina, que leu nota de repúdio ao vivo no programa Jornal do Almoço. Vemos grande ênfase aos termos: Laine, Valgas, Respondeu, Almoço.  A plataforma online Netlytic foi utilizada como ferramenta de Análise de Redes Sociais (ARS) na Análise de Texto e de Redes para classificar o grande volume de comentários reunido durante o período de cinco dias de coleta, entre os dias 13 e 17 de janeiro de 2020.

Referências

Martino L. (2015) Teoria das Mídias Digitais, Linguagens, Ambientes e Redes. 2 Edição, Editora Vozes.

Paulino, R. C. R.; Empinotti, M. L. (2018) Análise de Redes Sociais (ARS) para mapear o posicionamento do público no Twitter: caso do julgamento do ex-presidente Lula na Lava Jato. In: I Encontro Regional Norte e Nordeste da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura, Universidade Federal do Maranhão, São Luiz.

Rheingold, H. (1993). The virtual community: homesteading on the electronic frontier. Cambridge: MIT Press

Wenger, E.; McDdermott, R.; Snyder, W. M. (2002) Cultivating communities of practice: a guide to managing knowledge. Boston, MA: Harvard Business School Press.




Palavras-chave


jornalismo; análise de redes sociais; ARS; twitter; #naoenao;

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