meistudies, 2º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Mulher e Gênero no Ecossistema Midiático

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A inclusão de mulheres e gênero no currículo de Arte para EAD: alternativas para Ebook de música
Andréia Schach Fey, Margarida Gandara Rauen

Última alteração: 2020-03-17

Resumo


Este trabalho apresenta alternativas para a desnaturalização do androcentrismo em  cursos no ecossistema midiático por meio da ampliação da diversidade de gênero no currículo e, especificamente, no repertório de Arte em EAD.  O androcentrismo se efetiva através da ênfase na visão e na construção masculina de mundo, caracterizando a reprodução de um habitus de discriminação (Bourdieu, 2012). Trata-se de um comportamento de exclusão,culturalmente internalizado. Apesar da evolução tecnológica, a problemática do habitus androcêntrico está presente também na educação à distância, que continua reproduzindo narrativas centradas no homem. O ecossistema midiático se tornou o aporte de diversas plataformas de educação com acesso facilitado pelos dispositivos móveis. Renó (2015) aponta algumas reflexões sobre a reconfiguração da sociedade diante da produção e do consumo das informações midiáticas na atualidade, afirmando que “[...] Os processos comunicacionais estão presentes no comportamento social desses cidadãos midiatizados” (Renó, 2015, p. 271). A velocidade de disseminação de conhecimentos para esta população em constante mobilidade e participativa torna ainda mais dramática a problemática da reprodução da visão masculina de mundo e a urgência de sua desnaturalização. Michelle Perrot (2017) e Michael Archer (2012) relatam a problemática da invisibilidade de artistas do gênero feminino no campo da arte, destacando o não reconhecimento das mesmas  como criadoras. Perrot ainda especifica os acúmulos de obstáculos enfrentados pelas mulheres na música. A baixa representatividade de artistas mulheres em livros e materiais didáticos do ensino presencial brasileiro foi estudada por Domingos Filho e Rauen (2018). No entorno midiático, Fey, Ribas e Rauen (2019) analisaram dois ebooks utilizados no curso de Licenciatura em Arte do Ensino à Distância (EAD) da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO) e  constataram menor quantidade de autoras e mulheres artistas, refletindo o androcentrismo também em contextos virtuais. O que fazer para minimizar a falta de diversidade identitária no currículo? Se a resposta óbvia é promover a inclusão de gênero, a ação pedagógica sobre ele requer pesquisar um repertório alternativo ao da história convencional da música. Dado o recorte temporal do modernismo, sempre destacado nos recursos didáticos do componente curricular Arte, apresentamos um quadro comparativo de nomes dos repertórios básicos nos campos da música erudita e da música popular brasileira entre 1900 e 1960, propondo um ebook de música segundo uma linha do tempo pautada na diversidade de gênero. Entendemos que a ampliação do repertório de musicistas e compositoras é uma alternativa para que as produções de mulheres sejam difundidas e reconhecidas no ecossistema midiático. Por isso, propomos a inclusão de mulheres musicistas e compositoras em ebooks de Arte, com sugestão de links audiovisuais e indicação de sites contendo biografias e partituras musicais, como uma ação concreta para minimizar o androcentrismo no meio digital.

 


Palavras-chave


Diversidade cultural; Gênero; Artes; EAD.

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