meistudies, 2º Congresso Ibero-americano sobre Ecologia dos Meios - Mulher e Gênero no Ecossistema Midiático

Tamanho da fonte: 
Artemídia e ativismo na América Latina: o feminino na videoarte de Ximena Cuevas
Regilene Sarzi Ribeiro, Laís Miguel Lacerda

Última alteração: 2020-03-11

Resumo


Trata-se de uma pesquisa sobre artistas mulheres latino-americanas e a presença do feminino e do corpo na videoarte, videoperformance e nos registros de performances e o impacto dessa produção audiovisual na sociedade e na arte contemporânea. É um estudo sobre como vozes individuais carregam consigo todo um coletivo de mulheres artistas a partir de novas visões do corpo, da história, da história da arte e sobre a sociedade na contemporaneidade. A investigação propõe uma interpretação atualizada da iconografia e das linguagens experimentais por meio de mídias e tecnologias do vídeo, empregadas pelas artistas que defendem a representação de um corpo feminino político e emancipado como um dos elementos centrais de suas obras. A pesquisa é de natureza qualitativa e exploratória tendo a procedência de dados secundários e como técnicas e instrumentos, a observação e análise interpretativa por meio de consultas, procedimentos bibliográficos e dos dados coletados, com foco em uma perspectiva estética e sociocultural. A fundamentação teórica é pautada no pensamento do antropólogo argentino Nestor Garcia Canclini, do filósofo francês Michel Foucault, da filósofa estadunidense Judith Butler e da crítica cultural argentina Zulma Palermo. O corpo tem um lugar especial junto à produção pioneira de artemídia entre os anos de 1960 e 1970 e também na arte de artistas mulheres, sobretudo nos anos de 1990 e 2000, com heranças significativas para a arte contemporânea das últimas décadas. Neste contexto a videoarte, as videoinstalações e as videoperformances são linguagens da arte audiovisual que se desenvolvem a partir da fusão entre as linguagens artísticas – instalações e performances – e a mídia e a tecnologia. Hoje o termo artemídia é utilizado para investigar inúmeras maneiras de produzir arte com mídia. No entanto, para esta pesquisa interessa a artemídia produzida por artistas mulheres na América Latina, que se apropriam da mesma como uma forma de engajamento e ativismo para discutir o feminino no século XXI. Assim o trabalho se debruça sobre as características contemporâneas da artemídia e o seu papel social na arte e na cultura digital no contexto latino-americano para refletir sobre questões de identidade de gênero e o feminino no século XXI e suas conexões com a Arte, Mídia e a Tecnologia. Os objetivos da pesquisa são: investigar a produção em arte audiovisual de artistas mulheres latino-americanas tendo como objeto o corpo em confronto com as tecnologias do vídeo; descrever obras e artistas latino-americanas visando contextualizar o tema do corpo feminino na arte contemporânea; estudar os conceitos desempenhados pelos corpos como o de corpo político e a resistência dos corpos em meio à violência e analisar estética e teoricamente as obras relacionando-as aos contextos nos quais foram produzidas, ativando também experiências emocionais, afetivas e intelectuais. Para tanto, neste artigo analisamos as obras Cuerpos de Papel (1997) e Natural Instincts (1999) da cineasta e artista visual mexicana Ximena Cuevas, nascida em 1963, na Cidade do México, México. A obra de Cuevas, uma das pioneiras da arte do vídeo mexicano, está pautada em diálogos com o cotidiano, na fronteira entre realidade e ficção e em questões de identidade e gênero.  Exibida em diversos festivais internacionais, como o Sundance Film Festival e o Berlin International Film Festival, seu trabalho integra o acervo permanente do MoMA e do Museu George Pompidou, em Paris. Em Cuerpos de Papel, a artista se apropria de imagens e sobrepõe sobre corpos e objetos cotidianos para criar uma reflexão visual sobre sexualidade, perda, ciúme e intimidade. Cuevas propõe uma metáfora visual entre um retrato íntimo cujo contorno é desenhado por uma moldura que tem dentro de si mesmo cenas e imagens em movimento compostos por diferentes estéticas e recursos da linguagem audiovisual. Já em Natural Instinctis, a crítica é sobre a beleza como construção social e a imagem homogeneizadora de uma estética europeia que tem sido alvo dos estudos decoloniais. As obras de Cuevas associam aspectos críticos e reflexivos às imagens do corpo, do feminino e relações de gênero e sexualidade cristalizadas pelo senso comum visando romper com estereótipos, rumo ao respeito e a visibilidade da diversidade, tendo a arte audiovisual como canal de discussão e expressão.



Palavras-chave


videoarte; América Latina; corpo feminino; Ximena Cuevas.

Texto completo: PDF